Até fazer a estreia esta noite na Liga Europa, Darwin Núñez, de 21 anos, levava 21 golos na carreira como sénior entre Peñarol e Almería. Entre esses, apenas um tinha sido de cabeça. Frente ao Lech Poznan, em 90 minutos, o uruguaio não só fez o segundo hat-trick da carreira como marcou dois desses golos no jogo aéreo. Mas esse foi apenas um dos vários registos conseguidos pela contratação mais cara de sempre do Benfica, que depois de quatro encontros no Campeonato, onde não marcou mas foi o jogador com mais assistências na equipa de Jesus, abriu o livro no papel de goleador e mostrou mais atributos que justificam o epíteto de nova coqueluche dos encarnados.

Cuidado, Darwin é um caso sério na Luz. E a defesa também – assim como a braçadeira (a crónica do Lech Poznan-Benfica)

Quarto uruguaio a marcar com a camisola do Benfica depois de Maxi Pereira, Cristian Rodríguez e Urreta, Darwin começou por quebrar o jejum de golos ao sexto jogo pelo Benfica na sequência de um cabeceamento após centro da direita de Gilberto. Já na segunda parte, com o encontro de novo empatado, o uruguaio recebeu uma passe no corredor central de Everton Cebolinha, passou por Crnomarkovic colocando-lhe a bola entre as pernas e rematou rasteiro sem hipóteses para Bednarek, no melhor golo em termos de trabalho individual. E ainda foi a tempo de chegar ai terceiro nos descontos, fintando a defesa sem bola para empurrar de cabeça ao segundo poste após grande trabalho de Rafa pela direita no seguimento de uma transição rápida ofensiva.

Desta forma, Darwin Núñez tornou-se apenas o quinto jogador do Benfica a marcar três ou mais golos fora nesta prova (antes denominada de Taça UEFA) depois de Torres, Pedras, Yuran e Pacheco, o último a conseguir o feito há 28 anos frente aos eslovenos do Belvedur Izola. Em cinco remates, três dos quais enquadrados, o uruguaio fez aquilo que nunca ninguém fizera na história das águias: marcar um hat-trick no jogo de estreia na Europa.

Os três golos significam muito para mim, é mais uma ajuda à equipa. Quando não marco, trato de tentar ajudar. No início houve cinco jogos sem marcar e apoiaram-me sempre. Merecia marcar, hoje saiu um e os outros vieram uns atrás dos outros. Acreditava que ia estrear-me a marcar, não esperava era que fosse com três golos. Chegaram, agora é continuar a trabalhar com humildade”, destacou.

“Quero felicitar toda a equipa porque fizemos um grande jogo. Estou muito contente por ajudar com os três golos. Começámos bem a Liga Europa, temos de seguir neste caminho. Obviamente que um avançado vive dos golos mas estava tranquilo. Quando o golo não sai temos de ter a cabeça fria e ajudar. Já era hora de eu marcar. Objetivo de golos? Não tenho, vim para aprender. Sou muito jovem”, acrescentou na zona de entrevistas rápidas.

“Foi uma vitória categórica do Benfica, que esteve sempre por cima do jogo e do resultado. Esta equipa do Lech durante um ano só perdeu um jogo aqui. É uma equipa atrevida mas pagou o atrevimento. Ofensivamente fizemos um excelente jogo, quatro golos fora na Europa é sempre bom e foi importante o menino marcar logo três. Tem demonstrado a qualidade que tem no Campeonato e hoje marcou ele. Temos a certeza que contratámos um grande jogador que no futuro vai ser um big jogador, de topo, porque grande e big é a mesma coisa”, começou por salientar Jorge Jesus na zona de entrevistas rápidas da SIC, entre vários elogios ao uruguaio.

“Foi o mais caro da história do Benfica? Ele é um miúdo, só tem 21 anos… Há muita coisa do jogo que ele não sabe mas vai aprender comigo e no Benfica. Toda esta capacidade de decisão, finalização e velocidade, se este foi o mais caro do Benfica… Sem pandemia ia ser o mais caro que ia sair do Benfica. Vai ser todo o mundo… Infelizmente para mim vou perdê-lo daqui a pouco tempo”, vaticinou o treinador dos encarnados.