O BPI teve resultados de 85,5 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, informou o banco esta terça-feira em comunicado enviado à CMVM. Mais de metade desses lucros foram obtidos em Portugal, mas esse é um resultado no mercado doméstico que cai 69% sobretudo porque o banco decidiu colocar de parte 100 milhões de euros em imparidades de crédito para precaver incumprimentos relacionados com a pandemia de Covid-19. O banco tem 6,1 mil milhões de euros em créditos sob moratória, 24% da carteira.

O lucro líquido registado na atividade em Portugal nos nove meses entre janeiro e setembro ascendeu a 47,4 milhões, uma quebra de 69% na comparação homóloga. No terceiro trimestre o lucro da atividade doméstica caiu 38% para 40,9 milhões, “recuperando em relação aos dois trimestres anteriores”, diz o banco. Em termos consolidados, o banco tinha obtido 253,6 milhões de euros nos nove meses de 2019, contrastando com os 85,5 milhões destes nove meses (-66%).

Só nestes últimos três meses foram colocados de parte 18 milhões em provisões (aumentando as imparidades dos nove meses para 100 milhões), por uma questão de”prudência” em relação às perdas de crédito que a pandemia de Covid-19 podem provocar, indicou João Pedro Oliveira e Costa, o novo presidente da comissão executiva do BPI.

Ainda assim, o banco teve crescimentos “bastante assinaláveis” na atividade de crédito, que subiu 3,5% em termos homólogos (em termos totais). Já os depósitos de clientes aumentaram 2.271 milhões nestes nove meses, mais 9,9% do que no mesmo período do ano anterior.

Mas há 6,1 mil milhões de euros em crédito em moratória, representando cerca de 78 mil pedidos aprovados, o que é 24% da carteira de crédito do BPI. No total, quando se olha para o número de contratos de crédito abrangidos, são 108,6 mil contratos abrangidos pelas moratórias.

“Não tem havido surpresas nesta matéria, temos feito um acompanhamento dos clientes mas temos a noção de que esta situação vai evoluir”, indicou João Pedro Oliveira e Costa, que se insurgiu na conferência de imprensa em Lisboa pelo facto de não haver mais setores económicos em Portugal a quem é pedida uma contribuição especial de solidariedade.

Empréstimo da banca ao Fundo de Resolução está a ser finalizado, diz BPI

O presidente executivo indigitado do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, disse também que o empréstimo da banca ao Fundo de Resolução, para financiar o Novo Banco, está a ser finalizado e não deverá ser anulado.

“O assunto está, diria, do que é o meu conhecimento, nos ‘finalmentes’. Não me parece que haja nada que vá contrariar esse mesmo acontecimento, mas não somos nós que temos a responsabilidade por efetivar essa mesma solução”, disse o responsável do BPI na conferência de imprensa de apresentação de resultados do banco, que decorreu num hotel em Lisboa.

O gestor afirmou que o BPI fará parte da solução “com todo o prazer e disponibilidade” no empréstimo da banca ao Fundo de Resolução bancário para posteriormente financiar o Novo Banco, ao abrigo do Acordo de Capitalização Contingente da instituição que sucedeu ao antigo Banco Espírito Santo (BES).

“Fomos desafiados a participar numa solução. Estamos disponíveis para fazer parte dessa mesma solução”, disse João Pedro Oliveira e Costa aos jornalistas, adiantando também que a solução “ainda não está fechada”, e que quando o estiver “será anunciada”.

“Neste momento não posso dar mais pormenores porque ela [a solução] não está encerrada, por isso tudo o que eu diga pode não ser exatamente assim”, ressalvou o gestor.

BPI sem planos para redução acentuada de trabalhadores

O BPI não tem planos para uma redução acentuada de trabalhadores este ano e no próximo, disse aos jornalistas o presidente executivo indigitado do banco, João Pedro Oliveira e Costa. “Não temos nenhum plano em cima da mesa. É algo que nós vamos fazendo naturalmente. Também a procura por serviços bancários, em termos físicos, diminuiu significativamente durante este período como todos sabem, e por isso qualquer ajuste que nós formos fazendo será com comunicação e conhecimento com os trabalhadores do BPI e com os seus representantes”, disse João Pedro Oliveira e Costa na conferência de imprensa de apresentação de resultados do banco (lucros de 85,5 milhões de euros), num hotel em Lisboa.

O gestor entende que numa altura de crise como a atual “seria um forte desrespeito mas também seria uma atitude de gestão pouco certa não dar a atenção certa às pessoas”, reconhecendo porém mudanças no setor bancário.

“Isto não invalida que aquilo que o setor tem vivido não só no estreitamento de margens, pelas taxas de juro negativas, mas também pela diminuição nas comissões, inclusive por regulação, que tenha que ter uma gestão muito criteriosa dos recursos humanos e da sua estrutura de custos”, disse o presidente executivo indigitado do BPI aos jornalistas.

João Pedro Oliveira e Costa lembrou que as saídas ocorridas por mútuo acordo nos primeiros nove meses do ano “foram todas negociadas”. Anteriormente, o responsável do banco detido pelo espanhol CaixaBank já tinha referido que foram encerradas 48 unidades comerciais nos primeiros três trimestres, “e em termos líquidos saíram do banco 74 pessoas”, tendo entrado 53 pessoas.

“As saídas deveram-se essencialmente a reformas e a saídas naturais por iniciativa do próprio. O encerramento destas unidades comerciais tem sido inserido numa política que temos vindo a fazer, de longa data, de ir adaptando a estrutura comercial às necessidades dos mercados onde nós estamos e à procura que vamos tendo”, justificou.