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O Circuit Ricardo Tormo, em Valência, começou a receber as grandes decisões em relação ao Mundial de MotoGP com as duas últimas provas do ano na antecâmara do final em Portimão, a primeira das quais com o nome de Grande Prémio da Europa. E se há circuito que traz boas recordações a Miguel Oliveira é mesmo este. Vejamos: depois da desistência na estreia em Moto3 em 2012, fez dois top 10 nos anos seguintes, ganhou no último ano em que esteve na terceira categoria (2015), fez 13.º na estreia em Moto2 e ganhou nas provas seguintes, em 2017 e 2018 antes de ter falhado por lesão a corrida do ano passado, já em MotoGP. E o piloto português não esquecia esse registo no lançamento de uma qualificação que começava com tudo em aberto depois dos treinos livres.

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“O campeonato deste ano tem sido muito intenso mas vou começar estas três últimas corridas com a motivação em alta. Valência é uma boa pista. Nas últimas duas vezes em que corri ali venci, pelo que estou ansioso por chegar lá. Vão ser dois fins de semana desafiantes, com duas corridas seguidas no mesmo traçado. É preciso estar preparado desde o início. O facto de a ronda final ser em Portugal também dá uma motivação extra”, comentou o piloto da Tech3 KTM no lançamento da primeira prova em Espanha, antes das primeiras sessões de treinos livres.

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Com alguma chuva à mistura, o que levou a algumas quedas mas sem gravidade, Miguel Oliveira começou por fazer o oitavo melhor tempo da primeira sessão de treinos livres, que teve pilotos de três marcas diferentes com os três melhores tempos: a Ducati de Jack Miller, a Yamaha de Franco Morbidelli e a Honda de Stefan Bradl. Mais tarde, com pista seca, o australiano continuou a ser o mais rápido, a Aprilia de Aleix Espargaró assumiu-se como a maior surpresa e Miguel Oliveira ficou com o 13.º registo de 1.33,483, a pouco mais de duas décimas de Brad Binder e a quase 0.5 de Pol Espargaró, as duas motos de fábrica da KTM, que acabaram entre o quinto e o sétimo lugar.

“Esta segunda sessão de hoje [sexta-feira] foi boa, tive uma sensação de força no geral. Apenas na última saída é que houve um pequeno mal-entendido e não mudámos o pneu da frente, mas só o de trás. Ainda melhorei, mas não o que precisávamos para atingir hoje o top 10. Estou um pouco desapontado por isso. De qualquer forma, está claro o que precisamos de fazer amanhã [sábado]”, explicou o piloto em declarações à assessoria de imprensa, justificando a impossibilidade de chegar a um tempo que lhe desse a Q2 provisória logo no primeiro dia. E com a pista molhada esta manhã, o que colocou Zarco com o melhor tempo na terceira sessão dos treinos livres mas em 1.40,007, o português não conseguiu mesmo atingir a Q2 de forma direta, tendo de passar pela Q1 com essa boa notícia de ser o mais rápido ao longo da quarta sessão de treinos livres com a pista mais molhada. Não passou, voou. E sempre a bater o seu melhor registo, o português conseguiu de novo o tempo mais rápido, apurando-se com Zarco e deixando de fora Bagnaia, Álex Márquez, Viñales, Petrucci ou o regressado Rossi.

Em 12 provas realizadas até ao momento, Miguel Oliveira chegava pela oitava ocasião ao Q2. E os indicadores eram os melhores, tendo em conta os registos na última sessão de treinos livres e na Q1. Antes, e quando entrou nos 12 melhores da qualificação, o piloto de Almada tinha alcançado um quinto lugar na Andaluzia, a oitava posição na Estíria e em Aragão e caído nas outras para 11.º (Áustria) ou 12.º (São Marino, Catalunha e França). Agora, chegou a estar na primeira linha apenas atrás de Álex Rins, desceu na volta seguinte para o quinto posto mas não teve o mesmo ritmo nos minutos seguintes, acabando por cair para a oitava posição na grelha de partida, igualando mais uma vez aquele que é o segundo melhor registo em qualificação no MotoGP. Pol Espargaró, também piloto da KTM com moto de fábrica, garantiu a segunda pole position da temporada, seguido de Rins e Takagami. Ou seja, e tal como ser tinha visto no início dos treinos livres, três marcas diferentes (KTM, Suzuki e Honda).

“Foi um dia positivo, começámos com bom ritmo na sessão da manhã, no quarto treino livre também. Fizemos o trabalho que tínhamos a fazer na Q1, passámos à Q2. Aí, ficámos um pouco aquém do que podíamos fazer mas a pista começou a secar, sobreaqueci os pneus e não consegui ter a mesma tração para ser tão rápido como tinha sido dez minutos antes. Ainda assim, estou contente com a oitava posição. Amanhã [domingo] entraremos em território desconhecido, com uma pista provavelmente seca, por isso temos de estar alerta, adaptarmo-nos rapidamente ao que encontrarmos e fazer uma boa corrida”, comentou Miguel Oliveira no final da qualificação.