“Aconteceu um montão de coisas nesta primeira parte”. Foi assim que o jornal Marca acabou o acompanhamento da primeira parte no Mestalla. Mas o que o diário espanhol não esperava era que a segunda parte fosse igualmente surpreendente. Tudo se encaminhava para uma vitória tranquila dos merengues, mas de repente apareceram braços, VAR, penáltis repetidos e autogolos por centímetros. E uma derrocada, das antigas.

O Real Madrid perdeu este domingo por 4-1 frente ao Valência e podia ser este o parágrafo a definir todo o jogo. Mas era pouco para um jogo com tanto para contar. Comecemos pelo habitual: o princípio. E um “em princípio” onde o Real Madrid costuma vencer. E para aí estava encaminhado. Até à primeira meia hora, Modric teve toda a liberdade do mundo para ser o maestro de uma equipa que vinha a subir de rendimento.

Depois da derrota frente ao Shakhtar, o Real fez quatro jogos e venceu três, um deles até frente ao Barcelona. E esta noite tudo parecia encaminhar-se para o mesmo final: Karim Benzema abriu o marcador ao minuto 23′, com um belo golo. Iniciou a jogada, triangulou, recebeu na esquina, fletiu para o meio e disparou a fazer lembrar um número 7 distante.

Mas a partir daí tudo mudou. E mudou a sério. Alguém deve ter tocado no botão errado do comando ou estragado mesmo o aparelho. O Real desapareceu e ao minuto 30 começavam os problemas: penálti assinalado, batido por Soler, Courtois defende, Soler falha a recarga, Musah marca na segunda recarga e… golo anulado. O jogador do Valência tinha entrado na área antes do tempo e repetiu-se o penálti. Golo. Muito? Ainda estava só a começar.

Mesmo a terminar a primeira parte, Varane faz um alívio desastrado para a própria baliza. Segundo autogolo do campeão do mundo nos últimos cinco jogos. O francês ainda tentou evitar que a bola entrasse mas passou mesmo a linha e o Real de Zinedine Zidane já foi para o balneário a perder, quase inexplicavelmente.

As camisolas são cor-de-rosa mas os sonhos não: o pesadelo de não ter Casemiro

Na segunda parte voltou o pesadelo, mas em tamanho XL. Os golos? Esses podemos resumir numa palavra: penáli. Um (na primeira parte), dois, três penáltis de Soler e o Real não conseguiu reagir a tamanha raridade. Aliás, Soler foi mesmo o primeiro jogador na Liga Espanhola a marcar três golos de penálti no século XXI.

Mas o pesadelo podia prever-se ainda antes do início do jogo e tem outro nome (que não “penálti”). Esse nome é Casemiro. O médio brasileiro testou positivo à Covid-19 no dia de ontem e — tal como Hazard, que também está infetado — falhou a partida deste domingo. Porquê o pesadelo? Porque a falta de Casemiro é normalmente sinónimo de dificuldades para o Real, algo que, de resto, se viu de novo esta noite.

O médio brasileiro dá uma solidez que Valverde não consegue dar, ficando a faltar um “destruidor de jogo” adversário, que hoje teria dado tanto jeito. Ora vamos a factos: nos últimos cinco jogos em que Casemiro não jogou, o Real apenas tinha ganho um, precisamente o último, em junho de 2020. O histórico anterior foi sempre sinónimo de perda de pontos.

Agora, sem Casemiro e Hazard por mais uns dias — ainda por cima com o avançado belga também num momento de ascensão –, o Real agradece a pausa internacional devido aos compromissos das seleções. O próximo jogo dos merengues é decisivo, mas apenas no dia 25 de novembro, frente ao Inter de Milão, em Itália.

Em jogo vai estar a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões e as coisas não estão famosas, com a equipa de Zidane em terceiro lugar mas com boas hipóteses de inverter as contas. Fica a esperança de que o treinador francês mude de comando, porque hoje deve tê-lo partido várias vezes neste jogo de consola real.