Provavelmente no Natal mais desafiante para a cultura em Portugal, o já tradicional Circo de Natal está de volta ao Coliseu do Porto tendo pela primeira vez uma orquestra ao vivo. Conduzida pelo maestro Cesário Costa, o coletivo musical, composto por duas formações com 15 músicos cada uma, interpretará uma banda sonora original especialmente criada para o espetáculo pelo compositor Filipe Raposo, pianista residente na Cinemateca Portuguesa e autor de várias bandas sonoras para cinema e teatro.

“A aposta nos nossos criadores e artistas traduz o compromisso inequívoco do Coliseu Porto com os valores das artes de circo que Portugal tem exportado para o mundo, mas que nem sempre encontraram cá o merecido reconhecimento. Regressam assim a casa, a esta sua casa, alguns dos mais talentosos artistas de circo, formados de Norte a Sul do país, num ano em que foram escassas as oportunidades de trabalho”, afirma Mónica Guerreiro, presidente do Coliseu, desde abril de 2020.

Mas nem só de música vive o Circo de Natal, que nesta edição contará com 20 artistas e números em estreia absoluta de acrobacia aérea, ilusionismo, trapézio, clown, mastro chinês, corda bamba, forças opostas, parkour ou malabarismo.

Um dos cabeças de cartaz é Rui Paixão, o primeiro português a integrar o Cirque du Soleil como criador original, que este ano será o mestre de cerimónias do evento, fazendo a interligação entre todos os números, criando uma estrutura que dialoga, do início ao fim do espetáculo, com as várias técnicas tradicionais e contemporâneas do circo.

“O clown português construiu uma nova personagem exclusiva para o Circo do Coliseu inspirada no universo mitológico, que pretende reinterpretar e propor uma visão contemporânea do palhaço mimo no contexto do circo tradicional”, lê-se na apresentação.

O clown português Rui Paixão é a imagem do cartaz do Circo de Natal 2020

Na acrobacia e dança vertical vão estar os “Laboratório”, liderados por Miguel Tira-Picos e João Pataco, os grandes vencedores do programa televisivo Got Talent Portugal 2020, aos quais se juntam Mónica Alves e Bruno Miguel Rosa em duas novas apresentações.

Também nas alturas estará pela primeira vez no palco do Coliseu Daniel Seabra, com um número vertiginosamente arriscado no trapézio. Natural do Porto, o artista já colaborou com companhias como La Fura dels Baus e, com o seu trabalho, já passou por mais de 23 países. Misturando a realidade e ficção estará o ilusionista Andrély, nomeado duas vezes pela Academy of Magical Arts, em Hollywood, como mágico do ano.

Dono do recorde mundial do Guinness para a projeção de boomerangs, DannyLuftman apresenta um grande espetáculo de malabarismo. Já a dominar o mastro chinês estará Leonardo Ferreira com uma criação inspirada nas figuras e na realidade do cinema mudo. Radicado em França, o artista tem vindo a ganhar notoriedade enquanto bailarino acrobático. No Coliseu do Porto, propõe um momento onde o domínio circense se funde com a dança e o imaginário cinematográfico.

Diana Niepce traz a coreografia para a pista do circo, mostrando como a fisicalidade une dança e acrobacia. A sua atuação nasce do encontro entre fragilidade e força, e reconstrói os pedaços partidos da anatomia do amor que existe na queda. Formada na Escola Superior de Dança, e com colaborações em algumas das mais importantes companhias do mundo, nunca se deixou limitar pelo grave acidente que, em 2016, sofreu durante um número de trapézio.

Na acrobacia e dança vertical vai poder ver os “Laboratório”, liderados por Miguel Tira-Picos e João Pataco

O parkour dos Team Braga promete chamar a atenção numa encenação arriscada com saltos mortais, já o equilibrismo em corda bamba e acrobacia aérea fica a cargo da companhia Teatro do Mar. O programa só ficará completo com os Palhaços Luftman, um trio de comediantes natos que competem pela atenção dos mais novos.

Mónica Guerreiro, presidente do Coliseu, sublinha que nesta edição a sala mais emblemática do Porto “eleva a fasquia para trazer, talvez, a mais arrojada produção de circo da sua história”. O Circo de Natal no Coliseu já conta com 79 anos de existência e arranca a 11 de dezembro “com todas as condições de segurança e lotação reduzida”.

Os bilhetes custam entre 7€ e 18€, crianças até aos 3 anos têm entrada livre. Já os jovens até aos 18 anos e maiores de 65 anos têm 50% de desconto e este ano foi criado ainda o bilhete especial de família, onde na compra de quatro bilhetes um, de menor valor, será oferecido.