“Creio que podemos ser campeões do mundo. Digo-o do fundo do coração. Temos gente que está nos maiores palcos, todos os jogadores são de grande qualidade, podemos rodar a equipa e estar sempre a um grande nível”. Miguel Martins é um dos mais novos da Seleção de andebol e tem sido um dos grandes destaques no arranque do Mundial, entrando na segunda parte para decidir o encontro com a Islândia e sendo o ponto de equilíbrio desde início com Marrocos para evitar que Portugal se afundasse mais num arranque falhado de jogo. Aos 23 anos, com uma experiência de vários anos não só ao mais alto nível em Portugal mas também na Liga dos Campeões, serve como exemplo paradigmático da confiança ponderada que se vive no seio da comitiva nacional.

Primeiro o susto, depois a goleada: Portugal vence Marrocos e garante apuramento para a próxima fase do Mundial

Em entrevista ao jornal O Jogo, o central do FC Porto (que tem mais de metade dos convocados por Paulo Pereira para a fase final da competição) explicava o bom momento que atravessa e destacava que o mais complicado numa prova como um Campeonato do Mundo é mesmo manter a regularidades nas exibições. “Tenho vindo a preparar-me juntamente com o grupo. Preparámos a prova com antecedência, fizemos treinos físicos e isso, paralelamente às exibições que tenho feito na Champions pelo FC Porto, fez-me chegar bem ao Mundial, com uma grande vontade de mostrar a minha qualidade. A minha principal função é preparar bolas para os outros mas sempre fui um central rematador e a equipa tem-me ajudado bastante. Já disse aqui no Egito que o mais difícil não é jogar bem uma vez mas manter esse bom estado de forma. E é isso que quero, até porque estamos aqui para fazer algo grandioso e chegar às medalhas”, salientou o jogador que marcou 11 golos nos dois primeiros jogos da prova.

Após o triunfo fundamental logo a abrir com a Islândia (25-23), Portugal goleou Marrocos depois de um início desastroso com a opção de 7×6 atacante que foi também preparada para situações de necessidade nos encontros mais para a frente (33-20) e enfrentava agora a Argélia, outra equipa africana que conseguiu bater os marroquinos por 24-23 na primeira jornada mas que foi “atropelado” pelos islandeses no jogo seguinte (39-24). O favoritismo, mais uma vez, recaía quase todo na Seleção Nacional e Pedro Portela, eleito o MVP do jogo com Marrocos, deu voz a essa vontade de fechar a primeira fase só com triunfos… apontando já para as fases seguintes.

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Chegou, viu e venceu: Portugal derrota Islândia no arranque do Mundial com Miguel Martins em destaque

“É outro jogo complicado. Eles querem passar, viram o nosso jogo contra Marrocos e acham que terão as suas possibilidades. As equipas africanas são guerreiras e temos de estar focados para não cometer os erros do início do último jogo. Estou certo de que entraremos de outra maneira. Para já só demos um passo decisivo para a ronda principal. Sabemos que, ao entrar nesse patamar com quatro pontos, somos candidatos a jogar qualquer partida cara a cara com os próximos adversários. Temos de ter sonhos altos, sonhar com uma medalha, mas em primeiro lugar, temos de eliminar França, Noruega e Suíça na ronda principal para depois cruzarmos com a Espanha ou a Alemanha. É um caminho longo e sabemos do trabalho enorme que temos pela frente, mas somos ambiciosos e acho que podemos bater-nos com essas seleções para chegar às medalhas”, frisou o ponta direito.

Era neste contexto que chegava o último encontro do grupo F da primeira fase, projetado à luz do que poderá ser uma segunda fase com França, Noruega e Suíça (que se não existissem surpresas de última hora que levassem a Áustria a assegurar ainda lugar nos três primeiros do grupo E seriam os adversários no grupo III). E Portugal não falhou, vencendo a Argélia por 26-19 e garantindo a passagem com três triunfos noutros tantos jogos, apenas a um da campanha em 2003, quando a Seleção foi anfitriã da própria e terminou no 12.º lugar.

Sem tantos problemas sobretudo na parte ofensivo como no início do jogo com Marrocos, Portugal voltou a sentir algumas dificuldades nos minutos iniciais em que Belone Moreira surgiu em especial destaque para a vantagem de dois golos no primeiro terço do tempo inicial com três golos (5-3). As características mantiveram-se, com algumas falhas técnicas pouco habituais no ataque e uma defesa em dificuldades para travar um Messaoud Berkous que marcou seis dos sete primeiros golos argelinos no encontro, mas um desconto de tempo pedido por Paulo Pereira voltou a acertar pormenores para um parcial de 6-2 nos últimos dez minutos que levou o jogo para intervalo com o maior avanço até então, de cinco golos (14-9). Cavalcanti, com dois golos importantes de fora, terminou em foco mas pelo meio houve ainda o grande contributo dos pontas Pedro Portela e Leonel Fernandes.

No segundo tempo, Paulo Pereira rodou alguns jogadores que ainda não tinham jogado neste último jogo da fase inicial ou que tinham somado apenas alguns minutos, casos de João Ferraz, António Areia, Diogo Branquinho ou Rui Silva, chegou com apenas três golos de vantagem aos últimos 15 minutos (20-17) fruto de um abrandamento da intensidade defensiva e da menor eficácia no ataque e Humberto Gomes teve uma entrada fundamental no jogo com duas defesas que disfarçaram um período relativamente longo sem golos, ajudando a um final já com Gilberto Duarte também em ação ofensiva que fechou o triunfo nacional em 26-19. Se a primeira parte não tinha sido muito boa, a segunda foi bem pior. Ainda assim, e numa fase onde se percebe que existe a estratégia de ir rodando todos os elementos e preparar em competição os desafios que se avizinham, a vitória nunca esteve em causa, confirmando a passagem com três vitórias noutros tantos encontros realizados até ao momento.