O Mundial de andebol é a primeira grande competição desportiva de um 2021 que muitos esperavam que pudesse ser menos marcado pela pandemia mas também aqui ficou provado que existe uma longa caminhada ainda por fazer. A Rep. Checa, com um total de 17 casos positivos entre plantel e restante comitiva, teve de desistir e ver o seu lugar ocupado pela Macedónia do Norte; os EUA, também na sequência de um surto, cedeu a sua vaga à Suíça; e ainda houve o caso de Cabo Verde, que mesmo sem seis jogadores, o treinador principal e mais três elementos da equipa técnica e do staff, vai apresentar-se para participar na competição. Se o anfitrião Egito venceu o Chile por 35-29 no primeiro encontro da prova, era ainda da realidade Covid-19 que se falava. 

Portugal conseguiu passar ao lado desta onda e até mesmo os três jogadores em dúvida por questões físicas tiveram uma recuperação que possibilitou integrarem os convocados de Paulo Pereira, neste caso Gilberto Duarte, Alexis Borges e Alexandre Cavalcanti. Assim, a Seleção tentava prolongar o bom momento nas grandes competições após o sexto lugar no Campeonato da Europa de 2020, tentando no mínimo melhorar o 12.º posto no Mundial de 2003 organizado em solo nacional, o último em que participou, depois do 16.º em 2001 (França) e do 19.º em 1997 (Japão). E, até por ter surgido como cabeça de série no sorteio, olhando para objetivos mais altos num grupo onde cruzava com a Islândia, com quem jogou duas vezes na última semana a contar para a qualificação para o próximo Campeonato da Europa de 2022, e dois conjuntos africanos, Marrocos e Argélia.

“Provavelmente, vamos ter algumas formas de jogar diferentes. Podemos meter em alternância alguns conteúdos que não usámos nos jogos anteriores e algumas ações para danificar o esquema defensivo da Islândia”, destacou o selecionador nacional, na sequência de uma derrota em Reiquiavique por 32-23 após sair a ganhar ao intervalo e de um triunfo por 26-24 em Matosinhos. “Não passámos bem a bola, cometemos falhas técnicas e não conseguimos marcar golos. Cometemos imensos erros. Até hoje ainda não tive a equipa toda [para treinar] e estamos a tentar agora colecionar algumas peças para que as ideias possam fluir em termos de jogo. Espero que as coisas corram bem e tenhamos êxito”, acrescentou o técnico que esperava “uma longa vida” no Mundial.

Era neste contexto que chegava a estreia de Portugal na nova capital administrativa do Egito, uma cidade ainda em construção a menos de 50 quilómetros do Cairo que recebia não só o grupo F da Seleção mas também o grupo B, um dos mais competitivos da primeira fase com Espanha, Brasil, Polónia e Tunísia. E no tira-teimas entre a Seleção e a Islândia, com uma vitória para cada nos dois encontros da qualificação para o Europeu de 2022, foi a equipa comandada por Paulo Pereira a levar de novo a melhor, arrancando o Mundial com uma vitória que pode ser importante não só na qualificação para a fase seguinte mas para entrar num grupo mais “acessível” de seguida.

O encontro começou com grande equilíbrio mas com a Islândia na frente, ainda que sem possibilidade de ter mais do que dois golos de vantagem que conseguiu logo no arranque da partida. Rui Silva, que começou como central, foi mantendo Portugal ligado ao jogo até Quintana começar a marcar presença (não conseguiu fazer defesas nos primeiros oito/nove minutos) e a defesa nacional ganhar outra intensidade que colocou novos problemas ao ataque organizado contrário. Foi em duas dessas ações que Portugal chegou à primeira vantagem e atingiu de seguida o 9-7, com Diogo Branquinho a não perdoar em situação 1×1 com o guardião islandês. Os escandinavos pararam depois o encontro e conseguiram superar um período menos conseguido, reduzindo para 11-10 ao intervalo.

No segundo tempo, e ao contrário do que aconteceu no domingo em Reiquiavique em que a Seleção se afundou por completo em erros próprios no ataque, Portugal teve uma entrada a todo o gás e conseguiu uma vantagem de cinco golos em pouco mais de dez minutos, a maior ao longo de todo o encontro (18-13). O encontro estava a partir daí na mão do conjunto de Paulo Pereira, que só teria de de gerir dentro do possível no andebol a vantagem. E não foi fácil depois de nova aproximação da Islândia, que voltou a melhorar na defesa e a trazer outras complicações ao ataque nacional apesar das várias ações com sucesso de Miguel Martins que entrou na segunda parte para desequilibrar sendo o melhor marcador nessa fase. No final, a vitória ficou por 25-23 e Portugal deu um passo importante para conseguir o primeiro lugar, defrontar no sábado Marrocos que começou a perder com a Argélia (24-23).