Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

É a terceira ronda de investimento que a escola tecnológica espanhola – que se fixou em Lisboa em 2018 – consegue em quase três anos. Mas, ao contrário das duas primeiras, ambas de série A, que perfizeram um total de sete milhões de dólares, nesta terça feira a Ironhack fechou uma ronda série B, garantindo um encaixe de 20 milhões de dólares (16,5 milhões de euros). A operação foi liderada pelo fundo americano Lumos Capital, mas contou com a participação do Fundo Catalisador da Endeavor e de investidores como o Brighteye e Creas.

Ao Observador, a responsável pelo campus de Lisboa da Ironhack, Munique Martins, diz que o investimento é o resultado de um trabalho de posicionamento, crescimento e de uma economia promissora, que deixa vincada a missão da Ironhack: “É um passo super importante. A Lumos Capital está sempre a procurar empresas que geram impacto social, além disso querem investir em tecnologia e educação de formas disruptivas, que ajudem a diminuir o impacto do desemprego, e isso vai ao encontro do que temos feito”.

“Esta ronda demonstra a capacidade que temos em crescer, continuar a reconversão de competências, ajudar a solidificar Portugal como um hub tecnológico, diminuir o impacto do desemprego, principalmente o pós-pandémico. O investimento também nos veio permitir estabelecer novas parcerias e continuar a ajudar as empresas a empoderarem-se”, acrescenta.

Com mais de 8.000 alunos formados mundialmente desde 2013, uma taxa de empregabilidade que, em 2020, em Portugal, rondou os 89% nos primeiros seis meses após a conclusão do curso, o plano passa por manter os números, fortalecendo as fundações e, apesar do investimento, “afastar a ideia de um crescimento descontrolado”, sublinha. A escola tem campus em nove cidades pelos Estados Unidos, Europa e América Latina.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

“Queremos manter a Ironhack Portugal no posicionamento, ajudar o talento português em Portugal, aumentar o numero de campus, o nosso padrão, a visibilidade na Europa. Além disso, queremos crescer a nossa experiência em remote [trabalho remoto], por isso, estamos a posicionar-nos não só a nível de treino remoto, mas a ter contacto com empresas que querem contratar pessoas dessa forma, o que ajuda a levar os nossos conhecimentos não só em Lisboa mas por Portugal inteiro”, acrescenta.

O crescimento da oferta de soluções para empresas (B2B) em solo português é, aliás, um dos pontos chave para 2021, projetando-se uma expansão de parcerias – a Ironhack já era parceira, entre outros, do Banco Santander, da Media Market ou da Zomato,  com quem abriu uma bolsa de estudo conjunta no valor de 209 mil euros em 2019 –, que deve chegar também às startups.

“Temos também de continuar a fazer crescer o campus remote, que é uma forma de passar a experiência e de treinar para o mercado de trabalho. Temos de fazer crescer a oferta remota e de cursos, um deles será o de Cibersegurança”, esclarece.

O foco na oferta remota surge como uma das consequências naturais da situação atual, diz Munique, ainda que a estratégia já estivesse na mesa. Segundo a responsável, esta é uma forma de aumentar o alcance geográfico e que, apesar das dificuldades, aconteceu de forma mais natural do que o esperado. As aulas remotas não são, contudo, a única alteração trazida pela pandemia de Covid-19. Também o perfil dos alunos se alterou.

“Começámos a ver que temos pessoas desempregadas que precisam do curso para encontrar emprego. Há mais gente das áreas de restauração e turismo, e isso é importante. Lançámos um serviço de recrutamento para as empresas, que possibilita a que as empresas nos contactem diretamente e tenham acesso ao talento mais rápido”, acrescenta.

Para o sucesso desta iniciativa contaram as relações estreitas com as empresas recrutadoras e a criação de bolsas, como a que foi lançada em 2020 em conjunto com a Landing Jobs, de regresso em 2021 como uma peça fundamental do trabalho da Ironhack.

“Em 2021 vai manter-se, eles [Landing Jobs] vão partilhar em breve o estudo que todos os anos fazem sobre o ecossistema tecnológico e as oportunidades em Portugal. Mas também a parceria com a Zomato se vai manter”, acrescenta.

A manter, também, está o Acordo de Rendimento Partilhado (ARP), que garante aos alunos a isenção de propina, até que atinjam o teto de 15 mil euros anuais. Desse ponto em diante, será cobrada uma taxa mensal de 9%.

Sobre o futuro da Ironhack, Munique fala de um plano de expansão que deverá chegar em 2022, possibilitando assim uma visão mais alargada deste ano e da evolução das circunstâncias, nomeadamente da pandemia.

“Estamos a fazer estudos de mercado, queremos posicionar-nos em locais em que temos janela de oportunidade e que podem ser bons tech hubs, caso da Alemanha, França, mas temos de esperar.” Já sobre a capital portuguesa, a responsável pelo campus alfacinha, que integra a equipa desde a chegada, em 2018, prevê um crescimento acentuado, justificado por um “potencial tremendo, com novos talentos incríveis”.

“Temos tido um bom crescimento apesar de tudo, da pandemia, de sermos uma empresa espanhola a chegar a outro país, mas o que interessa é que estamos em Portugal para ajudar o talento português. Isso é a chave do sucesso”, remata.