Jorge Jesus testou positivo para a Covid-19 na semana passada, depois de sete testes negativos e de ser diagnosticado com uma infeção respiratória cuja origem não foi inicialmente identificada. Depressa se percebeu, portanto, que o treinador do Benfica iria falhar os próximos jogos dos encarnados — que incluíam a receção ao Belenenses SAD, nos quartos de final da Taça de Portugal, e que incluíam principalmente o dérbi contra o Sporting em Alvalade. Assim, a responsabilidade caía sobre os ombros de João de Deus, o adjunto de Jesus.

O primeiro desafio correu sem grandes sobressaltos. O Benfica venceu o Belenenses SAD na Luz, com golos de Darwin, Rafa e Cervi, e apurou-se para as meias-finais da Taça, onde vai encontrar o Estoril. O desafio seguinte, porém, subia alguns degraus. Depois do empate em casa na jornada anterior com o Nacional, os encarnados precisavam de vencer o Sporting para encurtar a distância para a liderança — e, sobretudo, para não ficarem a nove pontos dessa mesma liderança. 

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João de Deus voltava a ter a equipa praticamente toda à disposição, à exceção de Everton Cebolinha, e apostava num sistema tático semelhante ao do Sporting: com três centrais e dos laterais muito abertos nas alas. O azar bateu à porta do Benfica logo nos primeiros minutos, quando Jardel saiu lesionado de um sprint e teve de ser substituído por Gabriel — Weigl, já em campo, recuou e passou a ser o terceiro central, já que os encarnados não tinham outro no banco de suplentes. Ao segundo minuto de descontos, Matheus Nunes desbloqueou o nulo que teimava em permanecer em Alvalade e deu a vitória aos leões. Numa altura em que, tal como João de Deus disse depois tanto na flash interview como na conferência de imprensa, “já nem o Benfica esperava perder nem o Sporting esperava ganhar”.

“Foi um jogo muito equilibrado, com muitos duelos, muita intensidade e nem sempre bem jogado. Sobretudo um jogo equilibrado, que se resolve no fim, já depois dos 90′. Quando não esperávamos perder e o Sporting não esperava ganhar. Isto é o resumo que faço. Duas equipas competitivas e acabámos por perder já depois dos 90′ e isso custa-nos mais”, explicou o treinador, técnico principal do Benfica nesta segunda-feira, face à ausência de Jesus. “Queríamos estar consistentes, encaixar no adversário quando não tivéssemos bola. Queríamos também aproveitar o posicionamento dos jogadores da frente, o Cervi, o Rafa e o Darwin, aproveitar a profundidade e criar desequilíbrios na defesa do Sporting. Foi essa a estratégia, mas faltou-nos clarividência na zona de definição. É mesmo assim. Há que continuar a trabalhar. Não acabou para nós e vamos continuar a trabalhar. Vamos melhorar e dar muitas alegrias aos nossos adeptos”, acrescentou, explicando a opção pelo sistema de três centrais.

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A nove pontos da liderança e a cinco do segundo lugar do FC Porto, João de Deus garante que a equipa vai continuar a “acreditar enquanto for possível”. “Ninguém vai desistir neste grupo até que todas as possibilidades estejam esgotadas. Obviamente que sentimos muito a falta do nosso chefe, mas isso não é desculpa. É evidente que temos um líder que é uma pessoa extremamente carismática e que tem um grande poder sobre o grupo. Logicamente, estando privados dele, também nos ressentimos”, revelou.

Mais tarde, já na conferência de imprensa, o adjunto voltou a comentar o sistema de três defesas e defendeu que não foi arriscado atuar com uma estratégia menos rotinada. “Tivemos o tempo que tivemos para preparar o jogo, esta é uma forma de jogar que já tem sido trabalhada e, portanto, foi o que o mister entendeu ser a melhor estratégia para jogar contra este adversário e foi a estratégia que foi posta em prática. Certamente que se não houvesse o golo no final, não estariam a colocar essa questão”, indicou João de Deus, acrescentando que ninguém na equipa vai “atirar a toalha ao chão”. “Nem agora nem nunca porque é possível continuar a lutar e vamos continuar a lutar para sermos campeões nacionais, é isso que queremos e é isso que vamos continuar a fazer (…) Continuamos em algumas frentes e essas frentes são para ganhar. Temos competições para vencer e vamos lutar por elas. Ninguém aqui vai deitar a toalha ao chão”, terminou o técnico encarnado.