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Sete jornadas. As últimas sete jornadas, que incluem o período em que o Benfica foi intensamente afetado pelo surto de Covid-19, acabaram por originar o início do pesadelo de onde os encarnados ainda não conseguiram sair. Nestas sete jornadas, o Benfica só conseguiu ganhar uma vez, contra o Famalicão: à 13.ª jornada, estava a quatro pontos da liderança; à 20.ª, está a 15. 

Aos 50 minutos, Darwin pôs as mãos à cabeça e foi a imagem de uma equipa inteira (a crónica do Farense-Benfica)

Os 39 pontos que a equipa de Jorge Jesus tem nesta altura são o pior registo do clube desde 2007/08, quando tinha 38 pontos à 20.ª jornada, e a distância para o primeiro lugar do Sporting é já a segunda maior de sempre nesta fase da temporada. Pior, só mesmo em 1996/97, quando com 20 partidas disputadas no Campeonato o Benfica estava a 16 pontos do topo da classificação — nessa época, terminou em terceiro, a 27 pontos do campeão FC Porto.

A temporada difícil dos encarnados tem ficado patente principalmente longe da Luz. O conjunto de Jesus leva cinco partidas fora de casa sem conseguir ganhar, sendo que não vence enquanto visitante desde dezembro, contra o Gil Vicente em Barcelos: um registo que é já o pior desde 2007/08, ano em que Fernando Chalana acabou por assumir o comando interino da equipa depois da saída de José Antonio Camacho. Na flash interview, Jorge Jesus explicou que o principal erro do Benfica foi a ausência de capacidade de finalização.

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“Perdemos mais dois pontos. Andámos à procura da vitória, fizemos dez finalizações dentro da área, com oportunidades de fazer golo, mas não conseguimos concretizar. Depois estamos sempre sujeitos a sofrer contra-golpes, bolas paradas… Não aconteceu mas a equipa voltou a criar várias oportunidades e falta um jogador que meta a bola dentro do golo. Os nossos avançados não têm tido sorte. O Seferovic e o Darwin tiveram oportunidades para o fazer, o Rafa no final esteve isolado na cara do keeper e não conseguiu fazer. E pronto… Tu não fazes, trabalhas, crias…”, desabafou o técnico encarnado, visivelmente desiludido com o resultado final. Jesus acabou por reconhecer que a “ansiedade” é uma das explicações para a falta de qualidade na última definição de uma equipa que esta temporada já desperdiçou 21 pontos.

“É um pouco isso. Ansiedade… Na hora de decidir não estamos a decidir bem, estamos a fazer rapidamente, sem pensar qual é a melhor decisão. Tanto assim que falhámos finalizações na zona da grande penalidade. Há alguma intranquilidade para fazer golo. A equipa joga com ansiedade e pressão. É algo habitual no Benfica. Nós andamos atrás dos nossos adversários, sabemos que é importante não perder pontos e tudo isso traz uma carga acrescida para a equipa. Acabando por, em momentos fáceis, não fazer golo”, acrescentou, assumindo ainda que os encarnados têm tido ainda mais dificuldades fora de casa. “Torna-se mais difícil mas a verdade é que também não perdemos. A equipa voltou a criar mas no futebol quem ganha é quem faz golos”, terminou, garantindo que o título “não é uma miragem mas está cada vez mais difícil”.

Mais tarde, já na conferência de imprensa, Jorge Jesus acabou por recusar a ideia de apresentar a demissão na sequência dos resultados da equipa. “Cada jogo tem uma história diferente. É verdade que estamos a 15 pontos do primeiro classificado, mas também é verdade que a equipa cria imensas oportunidades para marcar. Há sempre um indicador de qualquer defeito. Sabemos de onde vem o nosso defeito ao longo de alguns meses, agora andamos à procura de alguma estabilidade técnica, física e emocional. Andamos atrás de um prejuízo que nos responsabiliza e faz com que a equipa nestes meses decisivos não consiga concretizar as oportunidades de golo que tem”, explicou o treinador.