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Aos 50 minutos, Darwin pôs as mãos à cabeça e foi a imagem de uma equipa inteira (a crónica do Farense-Benfica)

Darwin saiu no início da segunda parte: deu um pontapé numa garrafa, sentou-se com as mãos na cabeça e foi a imagem de uma equipa. Benfica criou muito mas não marcou e leva 6 empates em 9 jornadas.

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O avançado uruguaio teve uma grande ocasião para marcar ainda na primeira parte

André Vidigal / Global Imagens

O avançado uruguaio teve uma grande ocasião para marcar ainda na primeira parte

André Vidigal / Global Imagens

A frase, que em agosto foi o grande cartão de apresentação da segunda vida de Jorge Jesus no Benfica, acabou por se tornar a memória de que as coisas não estão a correr como era esperado. “Não vamos jogar o dobro, vamos jogar o triplo”, disse o treinador no Seixal, finalizando o raciocínio com uma exclamação: “Vamos arrasar!”. De lá para cá, depois dos jogos menos conseguidos e antes dos jogos mais exigentes, a pergunta tem sido feita de forma recorrente a Jesus: onde está o tal Benfica que ia jogar o triplo e arrasar?

O treinador encarnado não tem fugido à questão. Tem explicado, obviamente, que a frase foi motivacional, que a ideia era agitar o grupo e unir desde logo os benfiquistas, tal como explicou logo nas respostas que deu durante a apresentação. Tem recordado o surto de Covid-19 que afetou o clube, desde o plantel até à equipa técnica e até ao presidente, e que abriu a porta a uma fase que significou a queda do Benfica para o quarto lugar da Liga. Mas este fim de semana, pela primeira vez, foi o próprio Jorge Jesus a recordar a frase — como forma de encontrar explicações para a contestação que tem surgido em relação a Luís Filipe Vieira e Rui Costa.

Ficha de jogo

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Farense-Benfica, 0-0

20.ª jornada da Primeira Liga

Estádio de São Luís, em Faro

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)

Farense: Defendi, Amine, Eduardo Mancha, Bura (Fabrício Isidoro, 83′), André Pinto, Fábio Nunes, Jonathan Lucca, Ryan Gauld, Licá, Madi Queta (Djalma, 70′), Pedro Henrique (Stojiljkovic, 90+2′)

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Suplentes não utilizados: Hugo, Filipe Melo, Hugo Seco, Mansilla, Abner, Cássio Scheid

Treinador: Jorge Costa

Benfica: Helton Leite, Gilberto (Diogo Gonçalves, 53′), Otamendi, Vertonghen, Nuno Tavares (Grimaldo, 65′), Rafa, Gabriel (Pizzi, 65′), Taarabt, Everton (Cervi, 76′), Seferovic, Darwin (Waldschmidt, 53′)

Suplentes não utilizados: Vlachodimos, Lucas Veríssimo, Chiquinho, Pedrinho

Treinador: Jorge Jesus

Golos: nada a registar

Ação disciplinar: cartão amarelo a Gabriel (31′), a Pedro Henrique (86′), a Otamendi (89′), a Jonathan Lucca (90+6′)

“O que posso dizer é que aqui dentro da nossa casa, presidente, treinador, Rui [Costa] e jogadores estamos unidos, firmes e temos consciência que, neste momento, estamos a 13 pontos do primeiro. Sabemos o que nos aconteceu durante um mês e meio. Os adeptos, como é óbvio, querem ganhar, seja como for. Não importa o que tenha acontecido à equipa. Mas estamos conscientes de que temos uma segunda volta para melhorar porque hoje não temos esses problemas. As expectativas da minha chegada a Portugal foram altas. Lembro-me do que disse, que ia pôr o Benfica a jogar o dobro. Mas para isso tinha de os treinar. E durante dois meses não os pude treinar”, disse o técnico, na antevisão da visita ao Farense, deixando depois uma crítica às arbitragens relacionadas com as grandes penalidades.

“O Benfica é, das equipas que estão na frente, a única à 20.ª jornada que não tem uma grande penalidade. Não tenho falado nisso, toda a gente fala nisso, só o VAR é que não viu, penalidades a nosso favor que não são marcadas… Isso também são pontos. Há muitos ‘ses’ mas é factual o que nos tem acontecido”, acrescentou Jesus. Certo é que, este domingo, o contexto em que o Benfica estava inserido era quase impossível de antecipar em agosto, no dia da apresentação no Seixal. Os encarnados entravam para o jogo contra o Farense no quarto lugar, provisoriamente a 16 pontos da liderança, provisoriamente a cinco pontos da segunda posição e provisoriamente em igualdade pontual com o P. Ferreira, que horas antes tinha vencido o V. Guimarães.

Sem Weigl, que viu o quinto cartão amarelo contra o Moreirense e estava castigado, Jorge Jesus lançava Gabriel no meio-campo e regressava ao mais usual 4x4x2, depois de ter jogado com três centrais contra o Arsenal, na passada quinta-feira, na Liga Europa. Grimaldo era poupado e começava no banco, com Nuno Tavares a subir à titularidade na esquerda da defesa, e Gilberto voltava ao onze do outro lado. Pizzi e Waldschmidt opções iniciais a meio da semana, davam os lugares a Everton e Seferovic, com Rafa a regressar também à condição de titular. Os encarnados procuravam voltar às vitórias no Estádio de São Luís, depois do empate em Moreira de Cónegos na jornada anterior — a meio da tal eliminatória europeia com o Arsenal, que tem a segunda mão na próxima quinta-feira, o Benfica cruzava-se com um Farense que estava na penúltima posição da classificação e que mudou de treinador há menos de um mês, com Jorge Costa a substituir Sérgio Vieira.

No primeiro encontro entre as duas equipas no Algarve desde outubro de 2001, há quase 20 anos, o Benfica foi o primeiro a rematar, com Darwin a atirar um pontapé muito forte de fora de área que falhou por pouco a baliza de Defendi (8′). A partida arrancou de forma muito enérgica, quase em formato de pergunta-resposta, sem grandes paragens e com altos níveis competitivos de ambos os conjuntos. O Farense acabou por beneficiar da melhor oportunidade até então, com Pedro Henrique a ficar isolado na sequência de um passe de Lucca na profundidade; Helton Leite, com uma boa saída de entre os postes, evitou o golo dos algarvios (14′). Depois de cumprido o primeiro quarto de hora, porém, o Benfica acabou por conquistar algum ascendente no jogo — sem que os algarvios desistissem de tentar avançar sempre que encontravam espaços, principalmente em situações de transição rápida.

Os encarnados criaram inúmeras oportunidades mas falharam na eficácia: Everton permitiu a defesa de Defendi com um remate de fora de área (19′), Darwin atirou ao lado na sequência de uma combinação perfeita entre Gabriel e Nuno Tavares (25′), Rafa permitiu o desarme quando tinha tudo para visar a baliza dentro da área (36′) e Seferovic falhou a baliza depois de um desequilíbrio pela esquerda (37′). O Benfica atacava principalmente pelo corredor esquerdo, onde Nuno Tavares estava a atacar melhor do que a defender, e conseguia encontrar espaços entre linhas através das intervenções de Gabriel, Everton e Taarabt. Rafa, na direita, só desequilibrava com a bola no pé, algo que não acontecia muitas vezes, e continuava a ter muitos problemas na hora do último passe ou do último remate, como tem acontecido nos jogos mais recentes.

Ainda assim, e apesar de estar claramente por cima da partida e de acumular ocasiões para abrir o marcador, a equipa de Jorge Jesus cometia alguns erros na hora de posicionar os setores para defender transições rápidas do Farense e perdia algumas bolas na zona do meio-campo devido a passes errados e precipitados. Foi a partir dessas fragilidades que os algarvios acabaram por conseguir bater Helton Leite: Lucca, na direita, tirou um passe longo para o lado contrário; a bola pingou na grande área e Licá, que apareceu nas costas de Nuno Tavares sem que o lateral estivesse bem colocado, atirou de primeira para inaugurar o marcador (40′). O lance acabou por ser anulado por fora de jogo do avançado português mas era o exemplo daquilo que o Farense podia fazer ao aproveitar o espaço nas costas da defesa encarnada. Ainda antes do intervalo, para onde o jogo foi empatado e sem golos, Ryan Gauld atirou de fora de área e ficou perto de acertar com a baliza (45+2′).

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Farense-Benfica:]

Na segunda parte, Jorge Jesus não chegou a precisar de dez minutos para tomar as primeiras decisões. O treinador encarnado tirou Gilberto — que regressou de lesão e foi assim protegido — para lançar Diogo Gonçalves e também trocou Darwin por Waldschmidt: o avançado uruguaio saiu visivelmente desiludido com a própria exibição, pontapeou uma garrafa de água à saída e sentou-se no banco com as mãos na cabeça, sendo prontamente consolado por Jesus e por outro elemento da equipa técnica. As mudanças do técnico, porém, tinham uma justificação.

O Farense regressou bem do intervalo e estava a passar mais tempo no meio-campo adversário. O Benfica, que mesmo assim conseguia criar perigo sempre que acelerava em transições rápidas, falhava na definição e na finalização, tanto no último passe como no último remate. Os encarnados afunilavam demasiado o jogo, com todos os lances a fletirem para o corredor central e para espaços interiores, e não conquistavam a largura e os corredores, permitindo que os algarvios anulassem todas as investidas com o bloco defensivo bem organizado. A primeira vez que o Benfica conseguiu romper na segunda parte foi já depois da hora de jogo, com Rafa a desperdiçar novamente uma oportunidade ao permitir a defesa de Defendi depois de um passe de Seferovic (61′).

Logo depois, Jesus voltou a mexer. Entraram Grimaldo e Pizzi, saíram Nuno Tavares e Gabriel, com Taarabt a tornar-se o primeiro jogador logo depois dos centrais. O Benfica melhorou depois das substituições, com Pizzi a ter mais influência no ataque do que aquela que Taarabt tinha tido até então, e começou a encostar o Farense ao último terço. Pizzi ficou muito perto de abrir o marcador, com um remate que ainda bateu no poste depois de um desequilíbrio de Waldschmidt na direita (70′), e Jorge Costa reagiu com a primeira alteração, ao trocar o fatigado Madi Queta por Djalma, que se estreou pelos algarvios.

Jesus esgotou as substituições a cerca de um quarto de hora do final e tirou Everton — que teve muita bola mas pouco fez com ela, entre dribles a mais e falta de intensidade — para colocar Cervi. O Benfica dominou por completo os últimos 15 minutos, assentando arraiais no meio-campo adversário, e o Farense optou por defender na íntegra o resultado, avançando apenas em situações de superioridade numérica. Taarabt acabou por ter uma das melhores oportunidades já nos descontos, com um remate por cima da baliza (90+3′), mas os encarnados acabaram por não conseguir desfazer o nulo.

O Benfica volta a escorregar, soma o segundo empate consecutivo na Primeira Liga, fica a 15 pontos do primeiro lugar do Sporting, a quatro do Sp. Braga e pode ficar a cinco do FC Porto se os dragões vencerem o Marítimo esta segunda-feira e tem agora o P. Ferreira apenas um ponto abaixo. Quanto ao Farense, somou apenas o primeiro jogo de todo o Campeonato em que não sofreu golos e conseguiu sair da zona de despromoção. Aos 50 minutos, quando foi substituído, Darwin pôs as mãos na cabeça em sinal de clara desilusão e acabou por ser a imagem de uma equipa a quem não falta só sorte — falta golo, falta intensidade, falta acerto e equilíbrio entre a vertente emocional e desportiva.

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