A EDP anunciou um lucro de 801 milhões de euros em 2020, o que representa um crescimento de 56% face ao ano de 2019 em que os resultados da empresa foram penalizados por várias decisões regulatórias.

Sem efeitos ditos extraordinários, o resultado líquido subiu 6% para 901 milhões de euros, num ano em que a pandemia fez cair de forma significativa os preços da eletricidade, bem como a procura. A empresa refere que a crise pandémica teve um  impacto negativo de 100 milhões de euros no EBITDA (cash-flow operacional) recorrente de 2020, excluindo impacto cambial, sobretudo pela referida queda da procura de eletricidade e aumento de provisões por dívidas de clientes. A energia distribuída em Portugal caiu 3%, pressionada pelos consumidores industriais.

Apesar deste quadro, a atividade convencional da EDP em Portugal regressou aos lucros depois de dois anos de prejuízos, muito ancorados em decisões regulatórias negativas que se traduziram em cortes de proveitos. Estas operações que incluem a produção convencional, redes de distribuição e comercialização de energia geraram um lucro de 92 milhões de euros, o que contribuiu para o lucro global do grupo EDP. No ano anterior, a EDP em Portugal tinha tido prejuízos de 98 milhões de euros.

A ajudar os resultados do primeiro ano em que Miguel Stilwell de Andrade esteve à frente da EDP (desde julho), destacam-se ganhos contabilísticos (mais-valias) geradas com a venda ativos de produção e comercalização em Portugal e Espanha, bem como o desfecho favorável de um litígio regulatório no Brasil.

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O ano ficou também marcado pelo fim das operações na central de Sines, que ainda representou 3% da produção da EDP em 2020. Isto porque esta unidade reforçou a produção no segundo semestre para queimar o carvão remanescente antes do encerramento em janeiro. O fecho de Sines representou ainda um encargo de 18 milhões de euros, sendo um dos factores negativos não recorrentes que afetaram os resultados. São ainda destacadas a provisão relativa à devolução de alegada sobrecompensação das centrais CMEC (custos de manutenção do equilíbrio contratual) no mercado de serviços de sistema, no período de 2009-2013 — 73 milhões de euros que foram transferidos para as tarifas elétricas de 2021 — e custo anual com a Contribuição Extraordinária do Sector Energética.

O conselho de administração da elétrica vai propor a distribuição de um dividendo relativo ao exercício de 2020 no valor de 19 cêntimos por ação, alinhado com o pago no ano passado. A empresa vai apresentar o seu plano estratégico esta quinta-feira, o primeiro com a marca da nova equipa liderada por Miguel Stilwell.