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Os baixos níveis de testosterona já tinham sido identificados como um dos fatores que poderiam justificar doença grave nos homens infetados com o coronavírus SARS-CoV-2. Agora, uma variação genética comum em 25 a 30% dos europeus pode ajudar a identificar um maior risco de Covid-19 severa, noticia o jornal La Vanguardia.

“Já se sabia que a testosterona era um modulador importante do sistema imunológico e que estava, potencialmente, envolvido na associação entre Covid-19 e diabetes”, explicou Andrea Isidori, professora de Endocrinologia da Universidade Sapienza de Roma, citada em comunicado de imprensa. “Mas estudos anteriores mostraram dados contraditórios”.

Em Portugal, há mais casos entre as mulheres do que entre os homens, mas há mais mortes em indivíduos do sexo masculino. A nível internacional, a probabilidade de homens e mulheres serem infetados com SARS-CoV-2 é equivalente, mas são os homens a apresentarem doença mais grave e os que mais frequentemente ocupam as unidades de cuidados intensivos.

A investigação em Itália e Espanha, publicada na revista EBioMedicine, identificou a modificação genética que faz com que alguns homens tenham menor quantidade de testosterona em circulação, importante no controlo da inflamação. As mulheres não parecem ter este problema e têm outras hormonas que permitem controlar a inflamação, mesmo se os níveis de testosterona forem baixos.

Os autores do estudo propõe assim que, nos doentes Covid-19 do sexo masculino em que seja identificada esta modificação genética, se use testosterona como terapia complementar.

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