Miguel Oliveira nunca escondeu que sempre teve um ídolo no MotoGP: Valentino Rossi. E por isso, as palavras do mítico piloto italiano, há poucas semanas, terão sido o maior combustível para o início de uma nova temporada. “Na minha opinião, o Oliveira vai ser um candidato ao título, porque no ano passado já venceu duas corridas e este ano está a correr pela equipa de fábrica, por isso vai ser duro”, disse Rossi, enquanto realizava a antevisão do Mundial que arranca este domingo.

Ora, este fim de semana é precisamente o primeiro dessa contenda que Miguel Oliveira assume desde o primeiro dia no MotoGP: ser campeão do mundo. A primeira época com a KTM, depois de dois anos com a secundária Tech3, arrancava no Qatar e com uma qualificação feita debaixo de temperaturas muito altas — para além de imprevistos, como a queda de detritos de uma ponte pedonal por cima da pista, que provocaram a interrupção de uma das sessões de treinos livres de sexta-feira.

O ano 0 da fase 2 para ser 1.º: as equações do Einstein do paddock e as contas do título no MotoGP

Nesse primeiro dia oficial da época, o piloto natural de Almada terminou no 19.º lugar depois das duas primeiras sessões: foi 10.º na primeira, durante a manhã (a 824 milésimos de Franco Morbidelli, que foi o mais rápido), voltou a andar entre os 10 primeiros durante a tarde mas acabou por cair na classificação depois de a generalidade dos pilotos tentar fazer voltas rápidas nos últimos minutos. Na sequência do registo algo discreto, Miguel Oliveira reconheceu que sentiu “dificuldades”. “Testámos uma sessão de setup diferente nos primeiros treinos e na primeira saída do segundo treino para a pista. Percebemos que não era o caminho a seguir e voltámos à nossa configuração de base nos testes, o que nos trouxe praticamente o mesmo resultado e as mesmas dificuldades do teste”, disse à Lusa, acrescentando que o equilíbrio da mota pode melhorar, “sobretudo para aproveitar o pneu macio numa volta rápida”, e que era nisso que a equipa se estava “a focar para a qualificação de amanhã [sábado]”.

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Ora, este sábado, no terceiro treino livre, Miguel Oliveira voltou a ser 10.º mas a classificação combinada das três sessões ditou desde logo que o piloto da KTM não conseguiu melhor do que o 19.º lugar — ou seja, que iria ter de disputar a Q1 da qualificação, onde só os dois primeiros passam à Q2. O português fez a melhor volta em 1.55,261, a 0.585 de Franco Morbidelli (que foi novamente o mais rápido), e não conseguiu um tempo suficiente para marcar presença na Q2, numa ronda novamente marcada pelas altas temperaturas e onde nenhum piloto conseguiu melhorar o registo do dia anterior. Jack Miller, da Ducati, fez o melhor tempo combinado e Joan Mir, campeão mundial em título, não conseguiu melhor do que a 11.ª posição, passando também pela Q1.

Na quarta e última sessão de treinos, mesmo antes da Q1, Miguel Oliveira fez a melhor volta do fim de semana até então e conseguiu o quarto melhor tempo, atrás de Maverick Viñales, Johann Zarco e Fabio Quartararo. Na primeira ronda de qualificação, o piloto português não foi além do quinto lugar, ou seja, não conseguiu apurar-se para a Q2 — para onde saltaram Takaaki Nakagami e Joan Mir. Assim, Oliveira vai sair de 15.º este domingo, no Grande Prémio do Qatar. Na última fase de apuramento, Pecco Bagnaia alcançou a primeira pole-position da época (a primeira da carreira em MotoGP e com direito a recorde de volta mais rápida de sempre neste circuito), com Fabio Quartararo e Maverick Viñales a encerrarem os três primeiros lugares da grelha.