Grande Prémio do Qatar e KTM nunca rimou. Seja pelas características do circuito, pelo desenvolvimento da moto ou pelas próprias condições da pista, a marca nunca conseguiu grandes resultados em Losail e 2021 não foi uma exceção nesse particular, com Miguel Oliveira a ser o melhor agora na equipa de fábrica fazendo 1.53,915 que lhe valeu a saída do último lugar da quinta linha da grelha (15.º), à frente do companheiro Brad Binder (19.º) e dos dois pilotos da Tech3, Danilo Petrucci (20.º) e Iker Lecuona (21.º). De forma racional, o piloto português sabia que não era por esta corrida de estreia que passavam as ambições para um 2021 melhor do que 2020 mas ficou com boas impressões para a corrida pela ligeira evolução registada entre sexta-feira e sábado.

Uma qualificação com “dificuldades”: Miguel Oliveira fica pela Q1 e sai de 15.º no GP do Qatar

“Foi um dia de qualificação um bocadinho mais positivo para nós. Conseguimos melhorar o nosso tempo por volta, mas, ainda assim, longe das posições que contam. A quinta fila da grelha de partida não é das melhores posições para começar a corrida mas estamos confiantes com o nosso ritmo. A equipa fez um bom trabalho no terceiro e no quarto treino livre. O nosso ritmo é bastante mais próximo do dos nossos rivais do que a diferença que tivemos na qualificação, por isso estamos otimistas para começar a corrida”, assumiu Miguel Oliveira, com cuidados especiais pelas condições previstas para a corrida: “Está previsto o aumento do vento e descida das temperaturas, é preciso ter muita cautela por isso. Mas estamos confiantes numa boa corrida e num bom resultado”.

O warm up voltou a provar essas mesmas circunstâncias, numa corrida que no plano teórico seria discutida entre a Ducati e a Yamaha (que colocaram sete pilotos nos primeiros lugares da qualificação, com Pecco Bagnaia à frente de Quartararo, Viñales e Rossi), com Suzuki e Honda a apostarem na regularidade em corrida para subirem alguns postos na classificação e a KTM a lutar pela entrada nos pontos, quase que para minimizar a diferença numa prova em que surgia numa terceira linha de relevância ao contrário do que acontecerá noutras provas em solo europeu, a começar pela primeira logo no Grande Prémio de Portugal, a 18 de abril no Algarve. E o piloto de Almada voltou a dar uma boa resposta, estabilizando na zona do top 10 após um grande arranque do 15.º lugar.

O início não poderia ter sido melhor para as Ducati, com Bagnaia a acelerar para controlar por completo o primeiro lugar e Jack Miller, Johann Zarco e Jorge Martín a ocuparem as posições seguintes com as Yamaha de Quartararo, Viñales e Rossi logo atrás (Franco Morbidelli caiu várias posições na primeira volta). A outro nível, Miguel Oliveira foi o melhor dos “outros”, saltando para a 11.ª posição e recuperando uma rivalidade bem acentuada na última temporada com Pol Espargaró, agora na Honda. Essa era, aliás, a única boa notícia para a KTM, que perdeu logo nas curvas iniciais Danilo Petrucci antes de ver também Brad Binder subir algumas posições para 13.º.

A corrida fazia-se a três níveis entre os 15 primeiros lugares: 1) as Ducati tentavam manter a vantagem mas as Yamaha estavam a rodar cada vez melhor e Quartararo e Viñales superaram Jorge Martín para ir à procura do pódio tendo também as Suzuki a subir sobretudo por Álex Rins; 2) Oliveira estava a tentar chegar ao décimo posto de Aleix Espargaró, da Aprilia, tendo atrás a pressão da melhor Honda do irmão Pol; 3) Brad Binder e Iker Lecuona tentavam manter posição nos lugares pontuáveis, perante as más corridas de Álex Márquez, Takagami (que viria mesmo a cair a 15 voltas do final) e Franco Morbidelli. Tudo estava em aberto neste arranque de temporada.

Aleix Espargaró conseguiu superar Valentino Rossi e Il Dottore, o único do paddock a colocar Miguel Oliveira como um dos candidatos ao título já em 2021, era o próximo adversário do português, que ultrapassou o ídolo com uma facilidade inesperada e chegou ao décimo posto tendo de seguida Jorge Martín, também ele em queda desde o início da corrida e a rodar mais lento do que o piloto da KTM. A luta ibérica entre a oitava e a 11.ª posição estava mais acesa que nunca, com Pol Espargaró a conseguiu subir ao nono posto ultrapassando Miguel Oliveira, que se colocou também à frente de Jorge Martín de novo no top 10. Lá na frente, Viñales tinha conseguido superar Zarco e ia lançado em busca do líder Bagnaia, com Rins a chegar também a quinto superando Quartararo.

Depois de muitas tentativas (e boas defesas), Maverick Viñales conseguiu mesmo saltar para a frente, com Bagnaia e Zarco a manterem as Ducati no pódio e as Suzuki a subirem aos quarto e quinto lugares com Álex Rins e Joan Mir, num filme tantas vezes visto em 2020 que colocou Jack Miller na sexta posição e Quartararo em sétimo. Já Miguel Oliveira desceu ao 11.º posto ultrapassado pela Ducati de Enea Bastianini, com essa particularidade de, a oito voltas do final, rodar com os mesmos tempos de Bagnaia para conseguir aquele que foi o segundo melhor lugar da equipa de fábrica da KTM no Qatar (só superado pelo 12.º posto de Pol Espargaró no ano de 2019) após ser superado por Bradl e Rossi nas últimas voltas e numa fase em que Binder e Lecuona tinham quebrado lá atrás.

Apesar do 13.º lugar, Miguel Oliveira conseguiu somar pontos (três), ao contrário do que acontecera em 2019 pela Tech3 (17.ª posição). Lá na frente, Maverick Viñales confirmou mesmo a vitória num pódio completo por mais duas Ducati de Zarco e Bagnaia depois de Joan Mir ter estado na segunda posição na última volta antes de ser de novo ultrapassado, seguindo-se Quartararo, Álex Rins, Aleix Espargaró, Pol Espargaró e Jack Miller.

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