Esta segunda-feira, na reabertura da maior sala de espetáculos da região norte do país, foi anunciado que a autarquia do Porto e o ministério da Cultura vão assumir, em partes iguais, o valor das obras de reabilitação do Coliseu do Porto, de 3,5 milhões de euros, empreitada que só irá avançar em 2022. Segundo o site oficial da autarquia, o valor em causa já inclui as despesas com o pessoal durante o período em que a sala de espetáculos encerrar, sendo que o modelo de concessão ficará, assim, suspenso.

Rui Moreira, presidente do município do Porto, explicou que foi possível avançar para esta solução após reavaliação das necessidades de intervenção. A empreitada, que só avançará em 2022, garante “conforto e segurança”, mas prescinde do “luxo”. “No cenário anterior, aquilo que nos era apresentado como montante para fazer as obras era excessivo e injustificado”, afirmou, acrescentando que a “direção atual foi suficientemente ágil para perceber quais as condições de conforto e segurança necessárias” à reabilitação do equipamento cultural, tendo sido bem-sucedida ao reduzir “ao essencial” uma empreitada inicialmente orçada em 8,5 milhões de euros.

Mónica Guerreiro, presidente do Coliseu do Porto: “Há uma mentalidade que desvaloriza quem se dedica à cultura e às artes”

Segundo o autarca, o município e o Governo chegaram a acordo em assumir o investimento “em partes iguais”, recordando que a Área Metropolitana do Porto, o terceiro parceiro institucional, não entra na equação porque os seus estatutos impedem-na de concretizar investimentos diretos. Em cima desta solução já está a ser trabalhado o enquadramento legal, que garantirá “a manutenção da integridade da Associação dos Amigos do Coliseu”, assegurou Rui Moreira.

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A ministra da Cultura enquadrou esta mudança com o “impacto da pandemia”, que alterou significativamente a estratégia pré-definida, e reforçou que, no atual quadro, os investimentos públicos no património cultural são uma “prioridade”. Graça Fonseca admitiu ainda a possibilidade de obter financiamento comunitário para este projeto.

As obras, informou a presidente da direção do Coliseu, Mónica Guerreiro, deverão demorar cerca de oito meses, estando ainda por determinar o tempo que o Coliseu estará fechado. A responsável revelou que as intervenções previstas vão incidir essencialmente na fachada, cobertura e torre e assegurou que os trabalhos não arrancam este ano porque ainda são necessários estudos técnicos e projetos de execução.