O Prémio Literário Novos Talentos da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) foi atribuído, este ano, ao brasileiro Leonardo Costa de Oliveira, pela obra O Sonho de Amadeu. O vencedor da edição de 2021 do prémio de literatura em língua portuguesa foi anunciado esta quarta-feira de manhã, durante numa sessão solene realizada na sede da CPLP para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, a 5 de maio. Costa de Oliveira considerou este o momento mais feliz da sua vida.

De acordo com o júri, que integra escritores e professores de todos os países de língua portuguesa, O Sonho de Amadeu é “prosa trabalhada, frase curta, paisagens urbanas”.

Leonardo Costa de Oliveira, de 38 anos, é geólogo de profissão. Nasceu em 1983, em Paracambi, no interior do Rio de Janeiro, e tem um mestrado em análise de bacias sedimentares e um doutoramento em geociências. Com uma “vida inteira” passada “entre a vida académica”, como admitiu o próprio durante uma intervenção na sessão inaugural do 5L — Festival Literário de Literatura e Língua Portuguesa, em Lisboa, durante a tarde, foi professor assistente na Universidade Federal do Espírito Santo entre 2009 e 2013 e trabalha atualmente como geofísico na sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro.

Em plena pandemia, arrancou o festival literário de Lisboa, uma ideia que andava há muito “no ar”

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Até agora, os únicos trabalhos que publicou foram “sempre no exercício técnico, sem emoção”, no âmbito da sua carreira académica, condição exigida para a candidatura ao Prémio UCCLA, que premeia apenas autores sem obra literária publicada. Mas “ninguém é só uma coisa”, e Costa de Oliveira sempre escreveu “músicas, poesias”. Embora com “uma carreira com muitas cadeiras exatas”, o escritor acredita que o seu trabalho se apoia “no abstrato e no inventivo”.

Foi, aliás, às rochas e aos mistérios que encerram que foi buscar muita da sua inspiração, porque os geólogos “também se dedicam a desvendar a história da terra através das páginas que as rochas escrevem, amachucadas e muitas vezes inexistentes”, disse na sessão na CPLP. “Os melhores geólogos são os que, baseados na melhor das evidências científicas, conseguem desvendar os suspiros que há milhões de anos as rochas sopram para nós”, afirmou ainda. “Contar histórias é parte principal desse ofício. Só percebi isso recentemente. A terra, tal como a vemos, é um grande livro também.”

O escritor, que participou da parte da tarde na sessão inaugural do Festival 5L, onde o vencedor do Prémio UCCLA voltou a ser anunciado, reagiu ao galardão, dizendo: “Talvez este seja o momento mais feliz da minha vida”.

Costa de Oliveira foi um dos 699 autores, de 21 países, que se candidataram ao Prémio Literário UCCLA de 2021. Mais de metade eram residentes no Brasil, mas a variedade de nacionalidades foi grande, como revelou o coordenador cultural, Rui Lourido, que integra o júri — Macau, Canadá, Estados Unidos da América, Chile e Rússia são alguns dos países de onde foram enviadas obras. A maioria dos candidatos eram jovens (56%), mas houve também uma grande variedade de idades. Dois candidatos tinham 90 anos e, no ano passado, houve um com 96, adiantou ainda Lourido.

Neste edição, foram ainda atribuídas três menções honrosas “devido à qualidade das obras”: Entre Lobo e Cão, de Artur Siqueira Brahm, 28 anos, do Rio Grande, Brasil; Rios, de Paulo Cesar Ricci Romão, 34 anos, de São Paulo, Brasil; e Lemas, de José Pessoa, 62 anos, de Belo Horizonte, Brasil.

Lançado em 2015, o Prémio UCCLA tem por objetivo estimular a produção de obras literárias, nos domínios da prosa de ficção (romance, novela e conto) e da poesia, em língua portuguesa, por novos escritores. O galardão prevê a publicação da obra vencedora. De acordo com Rui Lourido, O Sonho de Amadeu será lançado em Portugal pela Guerra e Paz, também responsável pela edição do vencedor de 2020, O Heterónimo de Pedra, do português Henrique Reinaldo Castanheira.