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Com a surpreendente eliminação do pentacampeão Lyon nos quartos da Champions frente ao PSG, ficou escrito que haveria um novo clube campeão europeu. Depois, com os triunfos de Chelsea e Barcelona nas meias, ficou escrito que não haveria francesas nem alemãs na final como nos últimos 13 anos e também ficou escrito que pela primeira vez o mesmo clube conseguiria ganhar a Liga dos Campeões no futebol masculino e feminino. Faltava apenas encontrar o campeão, que poderia ser a primeira equipa espanhola a conquistar o troféu ou a segunda inglesa, depois do triunfo do Arsenal no longínquo ano de 2007. Em meia parte, ficou resolvido.

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As catalãs dificilmente poderiam sonhar com um início melhor, com Martens a ter um remate em arco à trave logo aos 26 segundos antes de um momento de grande atrapalhação da defesa do Chelsea que terminou com Melanie Leupolz a ser atingida com a bola e a mesma a enganar a guarda-redes Berger. Logo a seguir, Pernille Harder atirou por cima em boa posição na área após cruzamento da esquerda, vendo depois Marta Torrejón evitar de carrinho aquilo que parecia um golo certo depois de uma assistência de calcanhar de Sam Kerr (8′). A final da Champions estava lançada e em aberto perante a boa reação do conjunto inglês após o golo.

No entanto, bastaram menos de dez minutos para quebrar de vez essa tentativa de equilíbrio. Ou melhor: se o Chelsea tivesse conseguido empatar nessa fase, a final poderia conhecer vários caminhos; sem esse golo que iria mexer com o contexto da partida, o Barcelona reforçou a sua posição e iniciou um autêntico atropelo às blues, com a capitã Alexia a fazer o 2-0 de grande penalidade (14′) e Bonmati aumentou a vantagem concluindo na área uma vantagem jogada ao primeiro toque a fazer lembrar os melhores tempos do Barcelona de Guardiola, Messi e companhia (21′). Se desde 2019 que o Chelsea não tinha uma desvantagem de dois golos, agora estava a perder por três. E o pesadelo iria continuar, com Martens a ter mais uma fantástica jogada individual pela esquerda, a ganhar a linha, a avançar em direção à baliza e a assistir Graham Hansen para o improvável 4-0 (36′).

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No segundo tempo, apesar das alterações de Emma Hayes e a subida de linhas do Chelsea, o Barça de Lluis Cortés foi gerindo o encontro como quis tentando explorar também as transições para aumentar a vantagem, ainda que sem a qualidade e capacidade do primeiro tempo. Se durante vários minutos se esperava apenas pelo intervalo, não foi muito diferente na segunda parte em relação ao final do encontro, entre mais oportunidades que não foram concretizadas por Pernille Harder e Sam Kerr e que podiam pelo menos ter dado às inglesas o golo de honra em Gotemburgo numa final com pouca história que acabou como tinha chegado ao intervalo.

Depois de afastar o Manchester City nos quartos e o PSG nas meias, a equipa feminina do Barcelona deu o passo em falta num currículo onde tinha apenas uma final europeia perdida frente ao Lyon em 2019 (4-1) entre o recorde de Campeonatos (seis, 2012, 2013, 2014, 2015, 2020 e 2021), Taças da Rainha (sete, 1994, 2011, 2013, 2014, 2017, 2018 e 2020), Supertaças (uma, 2020) e Taças da Catalunha (dez, 2009, 2010, 2011, 2012, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019). Com isso, o clube blaugrana tornou-se o primeiro a ganhar a Champions no feminino e no masculino, depois das cinco Ligas dos Campeões conquistadas em 1992, 2006, 2009, 2011 e 2015.