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O omnipresente Albano e o senador Vasco. O mais interventivo e o mais aplaudido no Congresso do PAN

Este artigo tem mais de 6 meses

Albano Lemos Pires é marido de Bebiana Cunha e pareceu estar em todo o lado, até nas criticas a André Silva. Com menos intervenções mas mais palmas, Vasco Reis, de 83 anos, chorou ao aprovar uma moção

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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Seja no meio dos delegados, em cima do púlpito ou sentado na mesa que presidia ao congresso, Albano Lemos Pires esteve omnipresente neste primeiro Congresso à porta aberta do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN). Membro da direção e marido de Bebiana Cunha, futura líder parlamentar do partido, Albano Lemos Pires começou o fim de semana com criticas fortes à proposta de alteração de estatutos que queria impedir a permanência de familiares nos mesmos órgãos do partido. E invocou até o facto de ser judeu — algo que refere de tempos a tempos nas redes sociais. O dirigente do Porto é, também, um dos mais satisfeitos com a mudança de pasta no PAN, com várias criticas ao antigo líder André Silva e a antever um futuro risonho à liderança de Inês Sousa Real.

Quando o Observador lhe pergunta se considera que o PAN sai mais forte com a mudança de líder, a resposta surge rápida e direta: “Sim, obviamente. Considero a Inês Sousa Real bastante mais capaz”. Albano Lemos Pires é crítico da gestão de André Silva, em especial depois das eleições europeias, quando o antigo porta-voz disse que o PAN não estava preparado para ser Governo, numa declaração que, para o dirigente, “prejudicou bastante o partido”.

Apesar de alguns militantes com quem o Observador falou terem dito que Albano não era um interveniente recorrente nas discussões, o dirigente contradiz e garante: “Em todos os congressos foi mais ou menos este o meu registo. Sempre fui bastante interventivo no que acho serem matérias que merecem ser trabalhadas”. Ainda assim, a mudança de porta-voz, com a região norte a ganhar terreno nos órgãos – Albano Lemos Pires e Bebiana Cunha são da distrital do Porto –, motivam-no mais para o futuro. “O temperamento da Inês Sousa Real, o caráter mais abrangente, a capacidade de ouvir e aceitar o contraditório e as opiniões diferentes das dela”, são opiniões que parecem mais criticas veladas a André Silva do que elogios à nova líder do partido.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Para Albano Lemos Pires, o PAN “é ainda um partido pequeno, apesar da representação parlamentar” e, por isso, “depende muito da negociação para conseguir alcançar as causas que defende”. É também aí que o dirigente do PAN acredita que “a visão mais humanista e de facilitadora de consensos” coloca a nova líder em melhor posição para levar o PAN para outro patamar.

Esse outro patamar é a chegada ao Governo. Inês Sousa Real quer cumprir esse objetivo e, para isso, Albano Lemos Pires diz que é preciso adotar uma estratégia construtiva para ir ganhando terreno. Nos vários debates sobre moções em que pediu a palavra, um deles criava obstáculos viabilização de Orçamentos do Estado de outros partidos. O marido de Bebiana Cunha foi um dos mais críticos a um dos pontos dessa moção porque entende que, “se o PAN só puder aprovar um Orçamento que não tenha medidas contrárias ao que pensamos, então vai resignar-se a uma posição de bota-abaixo e de protesto” — e esse, garante, “não deve ser o objetivo do PAN”, marcando também ai “uma das maiores diferenças entre Inês Sousa Real e André Silva”.

As leis de Nuremberga, a possibilidade de amar e o empurrão de Setúbal

Um dos primeiros momentos em que Albano Lemos Pires assumiu o protagonismo neste congresso foi na abertura da discussão sobre as alterações de estatutos. Em causa, uma proposta de militantes de Setúbal que queria impedir a existência de relações familiares dentro dos órgãos dirigentes do partido. Albano Lemos Pires pediu a palavra e falou grosso: “Como judeu esta proposta faz-me lembrar as leis de Nuremberga. Começando a progredir, onde é que estas leis vão parar? Como judeu choca-me muito”, disse.

Ao Observador, o marido de Bebiana Cunha corrobora a história que a deputada contou em entrevista à rádio minutos antes. “Conheci a Bebiana Cunha já no PAN e estávamos em listas opostas. Muitas vezes estamos em desacordo em muitas matérias, apesar de na grande maioria concordarmos. Mas na larga maioria também concordo com os meus colegas de Setúbal”, que apresentaram a proposta que acabou chumbada.

Bebiana Cunha: “PAN será claramente mais duro” com Governo neste Orçamento

Albano Lemos Pires diz que a iniciativa “tinha um objetivo claro”. “Não era inocente”, garante, antes de acrescentar que esse objetivo era “afastar algumas pessoas, entre elas eu e a Inês Sousa Real” – que tem um irmão no órgãos do partido. O dirigente remata: “Caso a proposta fosse aprovada eu teria que mudar de distrito de militância. É non-sense”.

As teias familiares do PAN que uma moção tentou (e não conseguiu) eliminar

O facto de ser judeu marca presença de quando em vez nas posições publicas do marido de Bebiana Cunha. Recentemente, por causa da realização dos Censos, escreveu no Facebook que o inquérito é “inconstitucional” por perguntar a religião “sem segurança alguma”. Ao Observador, garante que não é contra a realização dos Censos, mas acrescenta que, “nos anos 30, os países que facilitaram sofreram na pele”: “A Dinamarca, que nunca facilitou, foi o único país onde a comunidade judaica ficou intocável. Não há arquivos públicos, não há identificação e os nazis não os descobriram. Não sou contra os Censos, sou contra a pergunta sobre a religião”.

No fim de contas, Albano Lemos Pires e Bebiana Cunha integram os dois os órgãos nacionais do partido e são dois dos maiores vencedores do Congresso ao verem reforçado internamente o peso da distrital do Porto.

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O senador Vasco, “que vive feliz e saudável” a lutar pela causa do veganismo

Se um dos congressistas mais interventivos foi Albano Lemos Pires, um dos que registou o rácio de maior número de aplausos por intervenção foi Vasco Reis, médico veterinário de 83 anos, oriundo de Aljezur, no Algarve, onde desempenhou as funções de veterinário municipal.

Neste congresso era comum ver os mais jovens procurarem meter conversa, trocarem impressões e de forma tímida um ou outro abraço que fugisse momentaneamente à etiqueta agora exigida. Com o consenso que a idade — e as posições públicas anti-tauromáquicas e pró-veganismo – lhe foram dando, Vasco Reis é magnânimo na análise à situação do partido: “O André foi um exemplo do principio ao fim e continua a ser, por não se agarrar ao poder. Mas a Inês também é fantástica. Esteve no Algarve há uns dias, numa forma maravilhosa, com uma capacidade de comunicar incrível e depois tem este acidente. Que azar. Mas ela é valentona, esteve aqui muito bem, mesmo a sofrer. Eu só tenho pena de já estar velhinho, senão lutava ainda mais”, diz, deixando elogios a um e a outro.

Neste Congresso, o veterinário – agora reformado – apresentou uma moção que pede alimentação 100% vegetal para os animais, e ainda nessa tentativa de mudança assegura que “o veganismo é uma alternativa redentora”: “No meu mini-mundo eu faço isso, assim como os meus cães e os meus gatos e vivemos felicíssimos e saudáveis”. A iniciativa parece colher adeptos entre os delegados. A moção foi aprovada e largamente aplaudida, com Vasco Reis a dizer que, “os pequenos gestos comovem de tal maneira que tive de fechar os olhos”, conta, levando a mão à cara. “Não me aguentei, fechei os olhos porque estava a chorar”, diz.

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