Um grupo de investigação da Universidade de Aveiro (UA) concebeu um kit para recuperação de desvios olfativos em pacientes de Covid-19, revelou esta terça-feira fonte académica.

O kit “TOP COVID”, desenvolvido para treino do desvio olfativo, destina-se, em particular, a pacientes afetados pela Covid-19 e é 100% vegetal. Foi concebido por investigadores da UA em parceria com a Sogrape, a partir de produtos naturais portugueses e subprodutos de agroindústrias.

Numa primeira instância, a utilização do kit resultará num ensaio clínico que vai permitir à comunidade médica e científica fazer história, ao apoiar os setores de atividade mais impactados pela perda de olfato, bem como criar uma base de conhecimento para o futuro” explica uma nota de imprensa daquela universidade.

O kit de treino olfativo para pacientes Covid-19 é constituído por cinco discos de aromas naturais, criados a partir de matérias-primas 100% vegetais e sem qualquer tipo de conservante.

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Pó de alecrim, pó de casca de tangerina com pó de bagaço de Baga, pó de bagaço de Touriga Nacional com grãos de erva doce, pó de gengibre com pó de bagaço de Baga e folhas de orégãos são produtos selecionados, sendo produtos naturais “conhecidos pela população portuguesa, que desencadeiam memórias olfativas positivas, associadas a alimentos ou à natureza” e que permitiram à equipa de investigação criar várias notas de aromas, com diferentes intensidades.

A Sogrape, parceira do projeto, contribui com o seu know-how na análise de aromas, bem como com o fornecimento dos elementos vegetais que compõem o kit, com destaque para uvas de uma casta presente em muitos vinhos portugueses, a Touriga Nacional.

As perturbações do olfato têm um impacto direto na qualidade de vida, principalmente para quem tem neste sentido o seu principal instrumento de trabalho, como é o caso dos enólogos, mas também dos Chefs ou dos perfumistas”, salienta a nota de imprensa.

O kit foi desenvolvido por um grupo de investigação da Universidade de Aveiro, especializado na área da química de aromas e dos produtos naturais.

De acordo Sílvia Rocha, professora do Departamento de Química e líder do grupo de investigação da UA, “É fundamental compreender que tipo de moléculas libertadas pelos discos de aromas são mais eficazes na recuperação do olfato ou se o seu impacto é igual nos diferentes tipos de desvios olfativos”. “Este conhecimento, que pode ser criado pela combinação de diferentes domínios de informação, é crucial para o desenvolvimento de futuras estratégias de intervenção no contexto clínico”, explica.

Numa primeira fase, foram produzidos 100 kits doados ao Centro Hospitalar do Baixo Vouga que irá agora avaliar, através da realização de um ensaio clínico, em colaboração com a UA, a sua eficácia “no treino de estimulação e regeneração do epitélio olfativo em indivíduos com comprovada perda olfativa e/ou com desvios olfativos resultantes da infeção pela Covid-19“.