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O Palácio Burnay, em Lisboa, foi vandalizado e desapareceram todas as telas que adornavam este edifício histórico na zona da Junqueira. O “Fórum Cidadania LX” atribui o desaparecimento das obras a um “roubo recente” e enviou um protesto ao Diretor-Geral do Tesouro e Finanças (proprietário deste imóvel do Estado), com conhecimento da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), do presidente da Câmara Municipal de Lisboa e até do primeiro-ministro, António Costa. Pelo menos à  DGPC o protesto chegou esta sexta-feira, segundo confirmou o Observador.

O caso foi denunciado através do blogue deste Movimento Fórum Cidadania LX, que inclui várias fotos tiradas dentro do edifício e que demonstram o estado de abandono a que está votado. É possível perceber que várias obras de arte foram retiradas das paredes do palácio.

Imagem: Fórum Cidadania LX

O protesto é dirigido primordialmente a Miguel Marques dos Santos, Diretor-Geral do Tesouro e Finanças, mas foi dado conhecimento a Fernando Medina, António Costa, ao parlamento e à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), entre outras entidades.

Este é um imóvel que é propriedade do Estado e está classificado Imóvel de Interesse Público desde 26 de fevereiro de 1982. Muitos conhecem-no por ter sido ocupado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP), até 2001. Depois, chegou a albergar o Instituto de Investigação Científica Tropical mas também essa entidade se mudou há alguns anos.

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“Fomos agora alertados para o roubo recente da totalidade das telas existentes na antiga sala de baile do Palácio Burnay, e que ainda existiam aquando da visita de V. Exa. [Miguel Marques dos Santos] ao Palácio em Abril de 2020 (!), aquando da elaboração de relatórios técnicos pela DGPC”, pode ler-se na carta enviada.

Autoridades já tinham sido alertadas para janelas abertas

Os signatários acrescentam que, “há relativamente pouco tempo”, constataram “a existência de janelas abertas ao nível da rua” e imediatamente alertaram Miguel Marques dos Santos para a necessidade de as fecharem, “até porque essa situação já se verificava desde há vários meses a essa parte, e, portanto, existia elevada probabilidade de se verificaram roubos e ainda maiores atos de vandalismo do que aqueles por que o Palácio tem passado”.

O palácio poderá vir a ser ocupado pelo Conselho Económico e Social, segundo se pode ler na carta, algo que estará a ser negociado. É uma “solução que, não sendo a ideal, certamente possibilitará o estancar na degradação e abandono a que o Estado votou este imóvel histórico da autoria de Nicola Bigaglia”, dizem os signatários.

Imagem: Fórum Cidadania LX

O Fórum Cidadania LX diz que, à semelhança do que aconteceu em outras situações (como o Forte de Santo António da Barra, em São João do Estoril, e o Paço Real de Caxias), o Estado não estará a zelar pelo património como devia. O organismo “lamenta profundamente que o Estado, mais uma vez, proceda deste modo em relação ao Património que lhe foi entregue por privados para que dele cuidassem, configurando intencionalidade em prol da degradação irrecuperável dos imóveis classificados à sua guarda”.

O Observador tentou, sem sucesso, contactar a assessoria de comunicação do Ministério das Finanças e foi, também, pedida uma reação a fonte oficial da Câmara Municipal de Lisboa, que ainda não chegou. Já fonte oficial da DGPC confirmou a receção desta carta-protesto nesta sexta-feira mas não avançou mais comentários.