Uma loja de batatas fritas que se tornou popular na rede social TikTok está no centro de uma batalha judicial em Amesterdão. A loja em casa, chamada Fabel Friet, atrai diariamente dezenas de turistas e clientes, que fazem longas filas para experimentar as batatas artesanais à moda neerlandesa — fritas com casca em óleo vegetal e que podem ser acompanhadas por vários molhos —, mas o sucesso do estabelecimento contrasta com a sujidade e o caos que a elevada afluência de pessoas gera. Uma situação que tem incomodado os moradores da rua onde se localiza a loja, moradores esses que avançaram agora para tribunal numa tentativa de revogar a licença do estabelecimento.

A rua onde funciona a Fabel Friet, localizada num dos bairros mais exclusivos de Amesterdão, fica lotada de turistas todos os dias, mesmo aos fins de semana. Os clientes acabam por levar as batatas fritas, servidas num pequeno recipiente de cartão, para a rua, acabando por deixar cair algumas delas, o que atrai as muitas gaivotas que vigiam a zona, à espera de alimento, bem como ratos. O caos instala-se.

Viagens, fast-food, carros a combustão, carne. Amesterdão proíbe publicidade a produtos derivados de combustíveis fósseis

“Comer na rua é um comportamento vergonhoso. A comida fica às nossas portas e há maionese na pedra. As gaivotas instalaram-se por aqui, e o pior de tudo é a infestação de ratos”, diz ao The Guardian Thomas van Leeuwen, um dos 19 moradores que apresentaram uma ação em tribunal com o objetivo de revogar a licença comercial da Fabel Friet, cujo produto principal são batatas fritas cobertas com queijo parmesão e maionese trufada. “Estamos numa espécie de guerra, onde uma loja muito indesejável contaminou toda a área”, lamenta.

O principal autor da ação judicial, Niek van der Heijden, diz que o problema é o tamanho reduzido do estabelecimento, que leva a que se forme uma grande fila na rua. “O negócio acontece na rua: espera para fazer o pedido, espera para ser atendido, espera para comer. Queremos que o Fabel vá para um lugar onde haja espaço suficiente para receber os clientes dentro do estabelecimento”, defende. Na primeira sessão em tribunal, um advogado da Câmara de Amesterdão reconheceu que os problemas em torno do estabelecimento “duram há muito tempo”, sendo que “o impacto é grave”. Quanto à licença atual, a advogado garantiu que a Câmara vai respeitar a decisão do tribunal.

Já os proprietários da Fabel Friet defendem-se alegando que contrataram um serviço de limpeza sete dias por semana e quatro vezes ao dia, e que o número de visitantes em agosto deste ano caiu 23% em comparação com o ano anterior, após a abertura de quatro novas lojas noutros locais.