A passagem à etapa final da candidatura de Vila Viçosa, no distrito de Évora, a Património Mundial da UNESCO, será decidida pela organização até ao fim deste ano, revelou esta sexta-feira o presidente da câmara.
Em declarações à agência Lusa, o autarca de Vila Viçosa, Inácio Esperança, indicou que o processo de candidatura já “está em Paris [na sede da UNESCO] para avaliações técnicas” e que haverá uma reunião decisiva em novembro ou dezembro.
“O relatório técnico [que resultar dessa reunião] pode aconselhar ou não a apresentação e votação [da candidatura de Vila Viçosa] em Istambul, mas estamos crentes que a avaliação será positiva”, realçou o presidente do município.
A 49.ª sessão do Comité do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) realiza-se em Istambul, na Turquia, entre 27 de junho e 7 de julho de 2027.
Inácio Esperança adiantou que, no âmbito da candidatura, Vila Viçosa já recebeu a visita do avaliador internacional do ICOMOS (sigla inglesa de Conselho Internacional de Monumentos e Sítios) e o avaliador nacional também já entregou o seu relatório.
“A candidatura já não é dos promotores, que são o município e a Fundação Casa de Bragança. É uma candidatura do Estado português, porque foi homologada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, em dezembro de 2025”, assinalou.
Segundo o autarca, a candidatura, com o título “Vila Viçosa: Sede Ducal”, apresenta como principais argumentos “o traçado urbanístico da vila, os bens patrimoniais, como o Paço, o Panteão, as igrejas e todo o conjunto de palacetes, com os frescos”.
“Também a parte da coroação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal e a vivência dos duques em torno da Tapada Real e do Paço Ducal, durante o período da Renascença, com um imenso fervilhar de artistas internacionais” são outros trunfos, segundo o autarca.
O presidente do município salientou que, enquanto se aguarda uma decisão da UNESCO, os promotores continuam a apresentar a candidatura junto dos órgãos de soberania, entidades regionais e embaixadas.
Paralelamente, corre o processo com vista a classificar como Monumento Nacional o conjunto denominado “Vila Viçosa, Sede Ducal” e respetiva zona especial de proteção provisória, tendo sido publicado esta semana em Diário da República o anúncio sobre a alteração e redenominação do procedimento.
“Como a candidatura passou a ser ‘Vila Viçosa, Sede Ducal’, teve que ser alterado e é essa alteração que está no anúncio. Foram entregues os novos documentos que estão em discussão pública e, no final, julgamos que até final deste ano, Vila Viçosa será classificada como Monumento Nacional”, explicou.
Nas declarações à Lusa, Inácio Esperança recordou que foi o arquiteto Nuno Portas, que morreu há pouco mais de um ano, quem lançou, em 2001, o desafio a Vila Viçosa para promover uma candidatura à UNESCO.
“De 2001 até 2013 não se fez praticamente nada. Em 2013 começa-se efetivamente a trabalhar na candidatura e consegue-se integrar a lista indicativa em 2017”, mas a proposta acabou por ser chumbada em 2021 pela Comissão Nacional da UNESCO, disse.
O autarca, que cumpre o segundo mandato à frente deste município, lembrou que a atual gestão decidiu então fazer uma nova candidatura, precisando que os trabalhos da nova proposta se iniciaram em dezembro de 2021.
Nesta candidatura, o processo junta, além da autarquia, a Fundação Casa de Bragança, proprietária de património na vila alentejana como o Paço Ducal.