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John Textor é um dos pontos centrais da operação Cartão Vermelho, que levou à detenção do presidente do Benfica. Este milionário norte-americano é o protagonista da venda secreta de 25% da Benfica SAD por 50 milhões de euros, um negócio gerido por Luís Filipe Vieira e José António dos Santos, conhecido por Rei dos Frangos.

O milionário é um dos donos da empresa Digital Domain, especialista em efeitos especiais, e trabalhou muito com produções de Hollywood. Como um conhecido amante do mundo do desporto, fez uma proposta para comprar o Crystal Palace, de Inglaterra, mas é também dono da plataforma de streaming FuboTV, que transmite essencialmente desporto.

De acordo com o jornal Nascer do Sol, foi este negócio realizado há menos de três semanas que levou o Ministério Público a desencadear a operação. Mas o que está em causa? Vieira, o Rei dos Frangos e Textor chegaram a acordo e assinaram mesmo um contrato-promessa de compra e venda em que o empresário norte-americano ficava com 25% das ações da Benfica SAD. Contudo, em primeiro lugar, este negócio não foi comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o que desde logo é uma contraordenação grave, e depois o empresário só adiantou um milhão de euros, longe dos 50 milhões que terão sido acordados.

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Outra das grandes questões está nas ações que o milionário norte-americano ia adquirir: dos 25% por 50 milhões de euros, 20% pertenciam a José António dos Santos e Luís Filipe Vieira e, segundo o mesmo jornal, havia ainda mais cerca de 5% que Luís Filipe Vieira incentivou o Rei dos Frangos a comprar aos empresários José Guilherme e António Martins.

Tendo em conta que o clube Sport Lisboa e Benfica tem o controlo de 70% do capital da Benfica SAD, Luís Filipe Vieira como, até agora presidente da SAD, seria o representante desse valor.

Contudo, a venda de 25% das ações da SAD a Textor seria mais do que um negócio para o clube da Luz, já que, alegadamente, Vieira e o Rei dos Frangos teriam uma mais-valia superior a 30 milhões de euros, em comparação com os 20 milhões que as mesmas lhes terão custado. De acordo com o Nascer do Sol, esta seria uma compensação de Vieira ao amigo que durante vários anos terá servido de testa-de-ferro em negócios nos quais Luís Filipe Vieira não podia dar o nome.

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