A série “The Prince”, que se estreou na quinta-feira nos Estados Unidos, na HBO Max, está envolta em controvérsia por centrar a trama — uma sátira animada à família real britânica — nos filhos dos duques de Cambridge, a terceira geração da família. George, com 8 anos de idade e que recentemente foi alvo de bullying online aquando da final do Euro 2020, é o protagonista da série de 12 episódios assinada por Gary Janetti, autor de “Family Guy”. A versão ficcionalizada do pequeno príncipe, mas também dos irmãos Charlotte e Louis, despertou críticas nas redes sociais e a atenção dos media britânicos precisamente pela forma como as crianças estão a ser representadas, levantando questões de bullying e privacidade.

O programa conta com uma lista de atores bem conhecidos do público que dão a voz às diferentes personagens integrantes da família real, incluindo Dan Stevens e Orlando Bloom — nem Meghan nem Harry, radicados nos EUA, escapam à sátira (Bloom interpreta o duque de Sussex). Sophie Turner é quem empresta voz a Charlotte, estando a ser chamada por muitos de “hipócrita” por em maio ter defendido o direito à privacidade da sua filha e apontado o dedo aos paparazzi: “Ela não pediu esta vida… é nojento”. Na conta de Instagram da artista são muitos os seguidores que mostram desagrado e até desilusão: “Que pena que não achar que as crianças Cambridge merecem o mesmo respeito e privacidade que as suas. Se isto fosse apenas uma paródia dos adultos, seria diferente. Mas gozar com crianças por alguns dólares?”, lê-se nos comentários.

A ativista nigeriana nascida no Reino Unido Shola Mos-Shogbamimu também fez saber a sua opinião, salientando em entrevista ao programa “Good Morning Britain Friday” que as crianças estão “off limits”. “Criar uma paródia para gozar com uma criança de 8 anos não é engraçado. É desnecessário e vai contra o nosso sentido coletivo de responsabilidade.” No Twitter reitera a mensagem, acrescentando que George e os amigos poderão ver a série e que uma criança não vai perceber porque estão a gozar com ela, com uma referência direta à HBO. Também Omid Scobie, autor do livro “Finding Freedom”, que conta a história de Harry e Meghan, critica a série nas redes sociais: “Pessoalmente, não concordo com parodiar crianças, mas supondo que estou em minoria”. Aquando da divulgação do trailer na conta de Twitter da HBO Max, mais comentários negativos se seguiram: “Isto é desnecessário e cruel” ou “Isto é legal sequer?” são alguns dos exemplos.

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A sátira aos Windsor, que tem no príncipe George a personagem principal — a voz é do próprio Gary Janetti — gerou tanta controvérsia que o The Washington Post dedicou um artigo ao assunto, escrevendo que os britânicos estão “indignados” com “série animada dos EUA que descreve a família real como bebedores de chá egoístas” controlados por uma rainha equiparada a um chefe da máfia. Já o britânico The Telegraph publica a seguinte crítica: “The Prince é o insulto de Hollywood à família real”.

A série mostra George como um príncipe mimado (@HBO Max/Twitter)

O Daily Mail, por seu turno, enfatiza que a série dividiu opiniões em ambos os lados do Atlântico e destaca ainda as palavras do comediante Leo Kearse, que argumenta que George é um “futuro chefe de estado e alguém nascido na família real”, pelo que deve estar aberto à paródia. Já antes Janetti — que há muito satiriza a família real na sua conta de Instagram, a qual serviu de inspiração para a série — defendeu a sua criação: “Espero que ele [George] ache isto super engraçado. (…) E, obviamente, que veja que tudo é feito com afeto”.

A edição internacional da Forbes esclarece que a HBO disponibilizou discretamente a série na semana passada, depois de adiar a estreia na sequência da morte de Filipe, duque de Edimburgo, em abril deste ano — nenhum membro da família é poupado, nem mesmo o marido da rainha e a sua débil saúde. O projeto foi adquirido pela plataforma de streaming no início de 2020 e, desde então, as opiniões públicas sobre a família real terão mudado, sobretudo após a bombástica entrevista dos Sussex a Oprah Winfrey, com Harry e Meghan a trazer à tona da água questões como bullying, privacidade e saúde mental. O projeto “The Prince” segue a onda do sucesso de “The Crown”, o drama da Netflix que vai na quarta temporada.