O Governo não vê necessidade de reforçar o número de vagas para o Ensino Superior devido aos resultados dos exames nacionais que, depois de um ano de pandemia em que houve notas históricas, estas voltaram a descer para os números pré-pandemia, e os professores temem que haja uma injustiça relativa aos alunos que ainda se podem candidatar com as notas de 2020. Contudo, lugares vão ser aumentados como tem sido habitual.

Fonte do gabinete do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) disse ao Público que, “até ao presente momento, não existem elementos que indiciem a necessidade de assumir” um aumento de vagas. Apesar disso, o secretário de Estado Adjunto e da Évora revelou na TVI que “todos os anos há um cuidado de análise das candidaturas”, o que este foi feito ainda antes do conhecimento dos resultados e o que vai permitir 300 novas vagas. “O ano passado foram aumentadas as vagas no acesso ao Ensino Superior nos cursos mais competitivos e este ano há mais vagas para esses cursos e alguns na área do digital”, esclareceu, frisando que serão feitos “ajustes pontuais sempre que necessário”.

Opinião diferente tem o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), João Araújo, considerando que a diferença de resultados entre 2020 e 2021 pode levantar um “problema de injustiça”. “Já antes contactámos o ministério e apelamos agora aos reitores para que, em conjunto, façam o possível e impossível para aumentar o número de vagas nos cursos de médias mais elevadas. É um problema de justiça. Os alunos deste ano não podem ficar fora do curso em que entrariam em condições normais apenas pelo facto de Matemática ter um exame muito mais difícil este ano”, explicou.

No fundo, aos olhos de João Araújo, tudo se prende com uma questão de justiça: “Os melhores alunos deste ano estão em franca desvantagem relativamente aos que se vão recandidatar com as notas do ano passado.”

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Já no momento em que foi conhecido o exame de Matemática A, Teresa Moreira, da associação de professores da disciplina, tinha explicado que o maior número de perguntas obrigatórias estava previsto, mas não o aumento do grau de dificuldade. A Sociedade Portuguesa de Matemática traduz em números o motivo do pedido, ao explicar que os alunos que fizeram o exame este ano tiveram uma média de 10,6, um valor que se compara com os 13,3 de 2020 e o número de alunos com nota inferior a 9,5 valores aumentou 71%, de 8839 para 13.475.

Após o repto presidente da SPM que pedia para se “utilizar as vagas reservadas para os contingentes especiais para aumentar os lugares disponíveis para o contingente geral do concurso nacional de acesso”, o gabinete de Manuel Heitor esclarece que isso já ocorre anualmente e que “todas as vagas não ocupadas nos contingentes especiais revertem para o contingente geral”.