Enviado especial do Observador, em Tóquio

Faltavam ainda sete minutos para as 9h, altura em que teria início o dia no Estádio Olímpico com a qualificação do triplo masculino e do dardo feminino. A chuva, que chegou a engrossar, ia começando a dar alguma folga sem desaparecer por completo. Sol ainda nada mas também não era preciso para fazer do ambiente uma autêntica sauna: 29º (31º ao nível do relvado), 83% de humidade, uma brisa de vento de 14km/hora. Era neste contexto que três atletas nacionais procuravam os seus objetivos, diferentes entre eles mas com o ponto comum de pretender chegar à final. Um para confirmar, outro para surpreender, um outro para desafiar o impossível.

Comecemos pelo fim e por aquele que foi tantas vezes o número 1, Nelson Évora. O antigo campeão olímpico foi o primeiro atleta nacional a saltar mas foi também o primeiro a ficar de fora, ressentindo-se logo na primeira chamada à tábua dos problemas físicos que levaram a que fosse mesmo operado ao menisco e que tivesse uma preparação mais curta e condicionada para esta despedida dos Jogos Olímpicos. Esse salto nulo, mais do que a falta de marca, foi o sinal de que o atleta de 37 anos já não conseguia fazer o que tantas vezes fez: tratar o que não era possível como a coisa mais natural do mundo. E a segunda tentativa, a 15,39 com um final de pé na caixa de areia, foi como que uma despedida antecipada de um dos quatro campeões olímpicos portugueses.

De seguida, Pedro Pablo Pichardo. O luso-cubano, à semelhança do que aconteceu com outros candidatos às medalhas como Hughes Fabrice Zango ou Will Claye, não quis arriscar muito com a pista molhada e uma final marcada para a manhã de quinta-feira, marcando apenas 16,98 no primeiro salto. Era uma questão de tempo e na segunda tentativa ficou um claro aviso à concorrência de que não quer apenas discutir as medalhas mas sim o ouro, com um salto a 17,71 para assustar os mais diretos rivais que desfez qualquer dúvida de apuramento. Se Nelson Évora já não tem a capacidade de voar de outros tempos, Pichardo quer voar como ele para o pódio.

Por fim, Tiago Pereira, que chegava a esta qualificação com a esperança de poder fazer uma surpresa e juntar-se aos mais credenciados na final. Inserido no grupo A, que teve os dois únicos apuramentos diretos na primeira ronda de saltos (o chinês Yaming Zhu e o cubano Cristian Napoles), o português começou por fazer 16,62 e a seguir melhorou para 16,71 mas não foi além de 15,79 no terceiro e último salto, falhando também a final.

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