Esperava-se, mais cedo do que tarde, esta despedida. Mas, provavelmente, nunca desta forma. Não com Messi a sair do Barcelona ainda como um dos melhores do planeta, ainda influente e craque, como sempre foi. Talvez quando pendurasse as botas, talvez quando fosse, como é a ideia, para os EUA. Mas nunca assim. Aconteceu.

E como chegou a altura, por motivos financeiros que o presidente Laporta explicou (ainda que em pé de guerra com a La Liga), também foi dia de Messi dizer pela sua própria voz o que se passou. Para se despedir, na conferência de imprensa deste domingo, de quem durante 20 anos o viu ser, certamente na opinião de todos os adeptos da equipa catalã, o melhor jogador do mundo.

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E tinham motivos para isso, pois Messi foi a história recente do clube: 672 golos, 305 assistências, 10 ligas espanholas, sete Taças do Rei de Espanha e oito Supertaças de Espanha. Quatro vezes vencedor da Liga dos Campeões, três da Supertaça Europeia e também um “tri” no Mundial de Clubes.

Pelas 11h00 em Barcelona (10h00 em Barcelona) juntavam-se adeptos à beira do Camp Nou à espera dos jogadores, muitos tiveram até dificuldades em passar com os seus carros. Mas este domingo era inevitável, apenas por um atleta esperavam, o seu “10”, um argentino de 34 anos pequeno em tamanho e grande em história.

Siga abaixo o vídeo da conferência de imprensa que marca a despedida de Messi, onde este chegou logo emocionado e a chorar. E depois de uma primeira declaração, em que admitiu “não saber muito bem o que dizer”, a sala, com Laporta e alguns colegas e ex-colegas de equipa, prestaram-lhe uma ovação de pé, com Messi a chorar novamente, visivelmente emocionado com a sua despedida.

“Isto é muito difícil para mim, depois de uma vida. Não estava preparado. O ano passado estava, sabia o que tinha de dizer, mas este ano não. Estávamos convencidos de que iria ficar aqui, em casa. Era o que mais queríamos”, começou por dizer.

“Hoje é a minha vez de despedir-me. Cheguei um rapazinho com 13 anos e depois de 21 anos vou embora com a minha mulher e três argentinos catalães [os filhos]. Não podia estar mais orgulhoso do que fiz aqui. Dei tudo por esta camisola, do primeiro dia até ao último. Gostava de me ter despedido de outra maneira, com as pessoas no estádio, ouvir o carinho do público uma última vez. Estranhei muito a pandemia. Poder ter os adeptos mais perto, o calor, os festejos, ouvir uma ovação. Retiro-me deste clube sem isso. Passámos bons e maus momentos, mas o carinho sempre foi o mesmo. Senti reconhecimento e amor. Espero poder voltar a fazer parte deste clube. É o que consigo dizer, não estou em condições. Obrigado a todos”, acrescentou, antes das questões dos jornalistas.

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Admitindo que agora é hora de “mudar a vida por completo e começar do zero, de uma forma dura”. “Sobretudo pela minha família porque sei o que eles sentem nesta cidade. Sei que nos vamos adaptar e voltar a estar bem, mas é difícil”, afirmou o craque argentino que admite o facto de o “PSG ser uma hipótese”, mas não tem nada certo com ninguém. “Hoje não tenho nada certo com ninguém. Vários clubes mostraram-se interessados mas não há nada fechado. Estamos a falar, claro”, disse.

“Estou triste por sair deste clube, que amo. É um momento que não esperava porque nunca menti, sempre disse a verdade. O ano passado queria sair, este não. Por isso a tristeza”, confessou o astro argentino, que falou ainda num “balde de água fria” quando percebeu que não seguiria no seu clube de sempre.

“As pessoas do Barcelona conhecem-me, sabem que quero continuar a competir. Gostava que tivesse sido aqui. A minha intenção era ficar, não consegui e agora tenho de ir à procura do meu caminho. Competir e continuar a ganhar. Mas o mais importante é que vou estar com a minha família, os meus entes queridos e vou continuar a jogar, que é o que mais gosto de fazer. Tudo isto passará”, disse.

Acerca da questão do contrato, o tal que não coube nas contas, Messi explicou que, tal como foi noticiado diminuiu “o ordenado em 50%”. “O contrato estava fechado, não havia mais nada a fazer. Foram ditas mentiras. Fizemos tudo o que era possível”, explicou.

“Fizemos tudo o que era possível e não deu. Sempre fui frontal com os sócios e os adeptos. Nunca menti e sempre fui transparente. Quando não falas muito dizem-se muitas coisas. Nem tudo o que dizem é verdade. Estou tranquilo. Sempre fui frontal e isso é importante. Demos tudo, crescemos juntos e desfrutámos de tudo”, finalizou o agora ex-jogador do Barcelona. E que estranho é escrever isto…