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A tenista Naomi Osaka volta a estar em destaque além do ténis por comentários que fez após um jogo do Open de Cincinnati. Depois de na passada segunda-feira ter saído de uma conferência de imprensa, ao que pareceu, a chorar, a japonesa afirmou esta quinta-feira, entre outras coisas, que tem uma perceção de que se sentiu “ingrata” em relação ao ténis.

Depois de bater a norte-americana Coco Gauff pelos parciais de 4-6, 6-3 e 6-4, no primeiro torneio desde que desistiu de Roland Garros em maio, não contando com os Jogos Olímpicos, Osaka referiu em conversa com os jornalistas — na qual não fugiu ao tema também da “fuga” na última conferência de imprensa — a relação que tem com os media: “Fiquei a pensar porque fico afetada e pelo que me faz não querer falar com os media. Pensei se estaria assustada, porque às vezes vemos as manchetes de jogadores a perderem e no dia seguinte já é um colapso, ou já não são fantásticos”.

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Recordando que Naomi Osaka desistiu de Roland Garros depois de ser castigada por recusar falar com a comunicação social, afirmando depois que a sua saúde mental ficou afetada por alguns métodos de trabalho e questões, diz agora que se sentiu até “ingrata” perante o que o ténis lhe dá, em declarações reproduzidas pela Reuters: “Então pensei que acordar todos os dias, para mim, devia pensar que já estava a ganhar. A escolha de sair e jogar, de poder ver os fãs e as pessoas virem ver-me jogar, só isso já é um feito.”

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“Não tenho a certeza quando é que deixei de sentir isso, quando deixei de senti-lo como um feito. Então acho que fui muito ingrata nesse aspeto”, referiu, relativizando ainda os seus problemas, tendo em conta o que está a acontecer no mundo, como o ressurgimento dos talibãs no Afeganistão ou o sismo que matou mais de duas mil pessoas no Haiti.

“Ver o estado do mundo, como tudo está no Haiti, no Afeganistão, é definitivamente uma loucura. E para mim estar aqui a bater em bolas de ténis nos EUA e ter pessoas a verem-me a jogar. Preferia ser eu nessa situação do que qualquer outra pessoa do mundo”, frisou.

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