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No que diz respeito aos transportes, a troca de motores de combustão que queimam derivados de petróleo por motores eléctricos, alimentados por bateria ou através da energia produzida a bordo por fuel cells a hidrogénio, já arrancou há muito, sendo liderada pelos veículos ligeiros. Contudo, sabe-se que os próximos na lista serão os veículos pesados, camiões e autocarros, a que se seguirão os barcos e aviões.

A MAN, um dos construtores de pesados integrados no Grupo Volkswagen (o outro é a Scania), já disponibiliza aos seus clientes versões electrificadas da sua gama, ainda que com pouca autonomia, prática que tem vindo a ser incrementada desde 2020. O CEO da MAN, Andreas Tostmann, aproveitou recentemente para avançar com a promessa de pretender abandonar em breve a produção de versões com motores a gasóleo, como forma de “salvar a empresa”.

Numa entrevista à publicação alemã Handelsblatt, Tostmann explicou a estratégia da MAN, que desde Junho está a ensaiar a produção de camiões eléctricos numa nova área da fábrica de Munique. Simultaneamente, todos os funcionários estão a receber formação para construir veículos eléctricos, com toda a transformação a estar concluída no final de 2023, para arrancar a produção de novos “e-camiões” em 2024.

Passar a mover camiões com motores eléctricos é fácil, sendo mesmo mais simples, barato e leve do que usar os actuais enormes e pesados motores a gasóleo. O problema é alimentá-los através da energia armazenada em baterias, o que obriga ao transporte de grande quantidade (peso e custo) de acumuladores, que acabam por anular uma parte considerável da capacidade de carga. Daí que se estude a possibilidade deste tipo de veículos pesados passar a ser eléctrico, mas, em vez de armazenar em baterias a electricidade retirada da rede, o mais promissor parece ser produzi-la a bordo através de células de combustível, capazes de associar hidrogénio e oxigénio, para gerar água quente e electricidade.

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A MAN planeia começar em 2024 por veículos pesados a bateria com 500 km de autonomia, aposta que reforçará depois com versões capazes de percorrer 700 a 1000 km com uma simples carga. Mas Tostmann afirma que a marca revela uma clara preferência pelas fuel cells a hidrogénio. Para o gestor, “é mais fácil atingir a paridade de custos com os camiões a gasóleo com mecânicas eléctricas alimentadas por células de combustível a hidrogénio”.

Além dos veículos pesados para o transporte de carga, a MAN aposta nos autocarros eléctricos, estimando que “9 em cada 10 veículos pesados para o transporte de pessoas serão eléctricos em 2030”.