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Há duas grandes notas a retirar nas duas primeiras jornadas da fase de grupos do Campeonato do Mundo de futsal. A primeira, com muita polémica à mistura, diz respeito à saga de golos fantasmas que nem com a intervenção do VAR conseguem ser descodificados e que acabam por estar relacionados com a própria estrutura interior das balizas com um poste interior que depois impede que as bolas entrem. A segunda, mais positiva para a modalidade, diz respeito à competitividade que equipas de menor valia conseguem dar aos encontros, mesmo que no final prevaleça a superioridade teórica dos favoritos.

Em relação aos golos fantasma, Portugal tem passado ao lado desse “flagelo”; em relação às dificuldades para comprovar na prática, aí já houve esse exemplo, sobretudo no encontro inaugural com a Tailândia que chegou ao intervalo empatado antes de três golos apenas em cinco minutos do segundo tempo que valeram a primeira goleada na prova (4-1) antes dos 7-0 às Ilhas Salomão. Seguia-se Marrocos, com a Seleção a necessitar apenas de um empate para garantir o primeiro lugar do grupo após o empate da formação africana com a Tailândia consentido no último minuto mas que assegurou a passagem aos quartos.

“Gerir esta competição e ter esse espaço temporal de recuperação e preparação, sem facilitismo, acho uma vantagem. Queremos ganhar todos os jogos, jogar bem e vencer o grupo traz-nos essa vantagem. Disse antes de vir que Marrocos poderia ser uma surpresa no Mundial. Estamos atentos e sabemos o que temos de fazer. Connosco é que nem pensar mas que é uma seleção que pode fazer surpresas, claramente, pela qualidade individual, ambição que tem e pelos jogadores, muitos deles habituados a jogar em ligas competitivas”, comentou Jorge Braz na antecâmara do último jogo do grupo C. “Temos um ligeiro upgrade para poder vencer mas temos de ser pacientes em alguns momentos ofensivos que Marrocos vai ter. Há que reconhecer sempre isso nos adversários mas também sabemos reagir muito bem às perdas, bem como aos momentos em que podemos ser mais atrevidos na pressão e criar dificuldades”, acrescentou.

Portugal tinha apenas uma experiência em Mundiais com equipas da Confederação Africana de Futebol, quando derrotou a Líbia na estreia na fase de grupos da edição de 2012 (5-1), sendo que Marrocos surgia como a única formação capaz de entrar nos oitavos depois da eliminação do Egito com duas derrotas e uma vitória com a Guatemala e dos dois desaires iniciais da estreante Angola. A partida foi mesmo a mais complicada e competitiva na Lituânia, com Marrocos a partir na frente e Portugal a dar a volta, mas a Seleção conseguiu segurar o primeiro lugar do grupo C com um empate a três que garantiu uma posição melhor para os oitavos mas que impediu que pela primeira vez fechasse uma fase de grupos do Campeonato do Mundo de futsal só com vitórias, ficando com sete dos nove pontos possíveis.

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Os avisos de Jorge Braz faziam sentido e demoraram pouco mais de um minuto para se fazerem sentir: na sequência de uma bola em que Erick surgiu em posição de remate mas apertado por dois adversários, a formação marroquina conseguiu colocar a bola nas costas do último defesa que era Ricardinho e Jouad não perdoou isolado em frente a Bebé (2′). Portugal estava em desvantagem e tinha de colocar mais a sério o pé no acelerador, arrancando para uma grande primeira parte perante uma boa oposição dos africanos. Fábio Cecílio, após uma diagonal com passe de Ricardinho, fez o empate (9′) e Tiago Brito finalizou da melhor forma uma grande jogada coletiva entre Pany Varela e Zicky Té para a reviravolta (17′) antes de Marrocos apostar no 5×4 ainda antes do intervalo mas sem conseguir resultados práticos.

Portugal chegava ao segundo tempo com uma vantagem pela margem mínima mas suficiente para gerir à sua maneira os momentos do encontro, algo que foi conseguindo fazer até ao empate de El Ayyane na sequência de um livre muito contestado pelos jogadores nacionais por dois atrasos a Bebé (24′). O jogo voltaria a um outro contexto mais aberto e com os marroquinos a apostarem mais nas transições como quando estavam em vantagem mas seria também de livre (neste caso direto) que Bruno Coelho colocaria de novo a Seleção na frente (29′). Marrocos não demorou a apostar no 5×4, colocando de novo à prova a muralha que o conjunto nacional consegue construir a defender com menos um, um diamante com João Matos, Bruno Coelho, Pany Varela e Ricardinho que foi de ouro e fez a diferença até ao empate de Bakkali quando já jogava apenas 4×4 com que se chegou ao final do encontro (36′).