O jornalista e diplomata Luca Niculescu foi esta segunda-feira nomeado primeiro-ministro pelo Presidente da Roménia, Nicusor Dan, numa quarta tentativa de ultrapassar a crise política que afeta o país dos Balcãs desde maio. A Roménia é governada por um Executivo interino depois de o então primeiro-ministro, o liberal-conservador Ilie Bolojan, ter perdido uma moção de censura apresentada contra a sua coligação, formada por quatro partidos.

Com 55 anos e sem filiação partidária, Niculescu chega ao cargo depois de ter sido secretário de Estado no Ministério dos Negócios Estrangeiros e de desempenhar, desde 2002, as funções de coordenador do processo de adesão da Roménia à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Ao explicar a sua decisão, o Presidente romeno destacou o perfil diplomático de Niculescu como o de “um homem cujo trabalho consiste em harmonizar posições”. Sublinhou também que a sua nomeação representa “a garantia” de que o Executivo manterá o rumo pró-ocidental da Roménia, além de respeitar a disciplina financeira e os compromissos internacionais assumidos pelo Estado.

O chefe de Estado acrescentou que o primeiro-ministro indigitado terá total liberdade para acordar com as diferentes forças políticas a estrutura do novo Governo, seja através de uma fórmula política ou de um perfil tecnocrático.

Por seu lado, Niculescu agradeceu a confiança nele depositada e recordou que o país atravessa um prolongado período de instabilidade política, agravado por um contexto económico e internacional complexo. O candidato advertiu que não pode prometer milagres e indicou que a sua prioridade imediata será construir uma maioria parlamentar sólida que apoie um Governo “firmemente empenhado na orientação europeia e euro-atlântica” do país, membro da União Europeia e da NATO.

Nos próximos dias, Niculescu iniciará uma ronda de contactos com as forças políticas com representação parlamentar, numa tentativa de negociar as bases de uma maioria e acordar um programa de Governo “realista”.

Poucos minutos depois do anúncio, o líder do Partido Social-Democrata (PSD) — a maior força no Parlamento –, Sorin Grindeanu, criticou o facto de a decisão do Presidente romeno continuar a “desafiar a matemática parlamentar”. Grindeanu adiantou que, embora o partido vá analisar a proposta, não dará “um voto em branco” a uma fórmula que, na sua opinião, representaria “uma nova aventura política”.