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Uma reunião urgente numa semana imprevisível. Em ambiente de pré-crise política e com negociações decisivas a decorrer por estes dias, António Costa decidiu convocar um dos órgãos mais restritos do PS para uma reunião que não fazia parte do calendário.

Conforme o Observador confirmou junto de várias fontes socialistas, o secretário-geral do PS convocou a nova reunião da Comissão Política do PS para se reunir esta sexta-feira, 22 de outubro, à noite.

Da convocatória, a que o Observador teve acesso, constam dois pontos: a eleição da mesa da Comissão Política e também a “análise da situação política”.

A reunião é convocada de forma extraordinária, conforme os estatutos do partido — ou seja, não faz parte da agenda que prevê “reuniões ordinárias” de dois em dois meses. E, se é verdade que servirá para eleger a mesa da recém-eleita Comissão Política, o timing é, desta vez, largamente antecipado: depois do último congresso, em 2018, passaram quatro meses até a mesa ser eleita. Ou seja, a Comissão Política foi, dessa vez, escolhida numa reunião a 6 de junho, mas a sua mesa apenas foi eleita apenas no dia 15 de outubro. Desta vez, o secretário-geral teve pressa e voltou a convocar os membros da CP passado apenas duas semanas da eleição do órgão.

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Os socialistas já se tinham reunido e discutido a situação política, nomeadamente os resultados das eleições autárquicas, há menos de duas semanas, na tal reunião em que a nova Comissão Política e o novo Secretariado do partido foram eleitos.

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Agora, voltam a fazê-lo no momento de maior tensão orçamental desde o início dos Governos de António Costa, e numa altura em que os membros do partido e do Governo fazem as contas ao Orçamento e ao preço que poderia ter uma crise política.

Há, aliás, quem no PS relacione as duas questões — se este impasse orçamental é o maior susto por que o atual Governo já passou, o primeiro sinal de “alerta” terá sido a perda da Câmara de Lisboa, numas autárquicas que o partido encarou com muita confiança (e que efetivamente voltou a ganhar, mas com perdas relevantes).

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E desta vez a reunião acontecerá no final de uma semana que deverá ser decisiva: o PS tem reuniões marcadas com os partidos da esquerda e o PAN, assim como com as deputadas não inscritas, ao longo desta semana, para tentar desbloquear o impasse orçamental. Até agora, os sinais que tem recebido não são animadores.

Esta segunda-feira, o Bloco de Esquerda enviou a redação legal das medidas que quer ver inscritas no acordo, sendo que cinco delas se referem a legislação laboral — um ponto em que até agora foi, ao longo dos anos, impossível alcançar um acordo à esquerda. Já o PCP manteve a pressão alta — ainda esta segunda-feira, João Oliveira foi entrevistado no Polígrafo/SIC insistir que o PCP não “desiste” das negociações e não tem por objetivo causar uma crise política, mas frisando que não fica “amedrontado” com a perspetiva de ir a eleições. Ao Observador, dizia há dias desconhecer novas propostas do Governo e questionava a “motivação” de António Costa para não ter tido a mesma “preocupação” que noutros anos com as exigências do PCP.

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Texto atualizado às 16h57 com contexto sobre a data da última eleição da mesa da Comissão Política Nacional do PS, em 2018.