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O príncipe André, filho da rainha Isabel II, tem de estar disponível para responder a um conjunto de perguntas sob juramento até ao dia 14 de julho do próximo ano, escreve o britânico The Guardian. Em causa está o processo civil movido por uma mulher que o acusa de abusos sexuais quando ela era ainda menor de idade.

Tanto o duque de York como a mulher que o acusa, Virginia Giuffre, terão de responder, sendo que os depoimentos terão de estar concluídos até à data assinalada, dia 14 de julho incluído, de acordo com o juiz distrital Lewis Kaplan. O juiz determinou ainda a data 28 de julho para o pré-julgamento, que define o andamento do processo. Nenhuma outra parte está autorizada a aderir ao caso depois de 15 de dezembro.

O advogado do príncipe pediu ainda manter selado um acordo de 2009 firmando entre Giuffre e Jeffrey Epstein, que foi encontrado sem vida na prisão aos 66 anos. A defesa de André considera que este mesmo acordo pode proteger o duque contra as alegações feitas no atual processo judicial.

Em agosto deste ano, os advogados da alegada vítima deram entrada com um processo contra o príncipe no tribunal federal de Manhattan. À data, Giuffre dizia estar a “responsabilizar” o príncipe pelo que fez. “Os poderosos e ricos não estão isentos de serem responsabilizados pelas suas ações. Espero que outras vítimas vejam que é possível não viver em silêncio e medo e recuperar a própria vida exigindo justiça.”

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Segundo a acusação, que envolve um pedido de indemnização e punição, não divulgados, o príncipe abusou de Giuffre em várias ocasiões, quando esta tinha menos de 18 anos. E relata que, numa ocasião, o abuso sexual ocorreu em Londres, na casa de Ghislaine Maxwell. O duque terá ainda abusado sexualmente de Giuffre na mansão de Jeffrey Epstein em Nova Iorque, bem como numa ilha particular do norte-americano que morreu na prisão, nas Ilhas Virgens.

Em meados de outubro era notícia que a polícia britânica tinha deixado cair a investigação no caso que envolve Giuffre. Uma decisão tomada depois de a polícia analisar as alegações que relacionam o filho da rainha Isabel II e Jeffrey Epstein, o controverso investidor condenado por abusar sexualmente de menores. “Os agentes da polícia metropolitana tomaram conhecimento de um documento divulgado em agosto de 2021 como parte de uma ação civil dos Estados Unidos. Esta revisão foi concluída e não estamos a tomar nenhuma ação adicional”, chegou a dizer a Scotland Yard.

Príncipe André. Polícia britânica deixa cair investigação no caso que envolve Virginia Giuffre

Foi na sequência de uma embaraçosa entrevista que deu no final de 2019 — e que provocou ondas de choque em ambos os lados do Atlântico —, na qual negou qualquer envolvimento sexual com Guiffre, que o príncipe abandonou as funções públicas. À data, André publicou um curto comunicado na respetiva conta de Twitter, onde se lia que “ficou claro” que a sua relação com Jeffrey Epstein se tinha tornado “num grande transtorno” para a família real britânica e para o trabalho que desempenha.

Príncipe André nega ter abusado de jovem de 17 anos. Nesse dia, tinha ido a uma pizzaria

Agora, o processo civil movido contra o príncipe tem potencial para ofuscar as celebrações do jubileu de platina da rainha Isabel II, data em que comemora 70 anos no trono. Sobre isso, o The Sun noticia esta quarta-feira que André será mesmo afastado das comemorações do próximo ano.

Aos 61 anos, o príncipe continua a negar todas as alegações de abuso sexual, com a sua defesa a considerar as acusações “infundadas”.