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Estão “de olho em Lisboa” os analistas do influente banco holandês Rabobank, a partir de Londres, que numa nota diária enviada aos investidores em mercado de dívida destacam os riscos de chumbo da proposta de Orçamento do Estado, esta quarta-feira. Os analistas mostram-se, porém, relativamente tranquilos em relação às implicações de o Governo cair e serem marcadas novas eleições, caso o chumbo se confirme.

Boa parte da nota de análise, a que o Observador teve acesso, é dedicada a explicar aos investidores internacionais como é o atual balanço do poder no parlamento português, com o PS a governar em minoria, até aqui apoiado pelos partidos à sua esquerda (só o PCP, no último orçamento). A equipa de analistas composta por Richard McGuire e Lyn-Graham Taylor destaca, porém, que a julgar pelas sondagens o Partido Socialista “goza de intenções de voto melhores do que a votação que obteve em 2019” e “parece provável que tanto o PCP como o BE percam votos”.

Assim, “tendo em conta estas projeções e à luz do facto de que, na ausência de um novo orçamento, o que acontece é que se continua a usar o orçamento deste ano [em duodécimos], não acreditamos que a incerteza política no país leve a um período de pressão específica e sustentada sobre os títulos de dívida pública portuguesa, em comparação com os outros países da ‘periferia’ da zona euro”.

Pelo menos para já, não há sinais relevantes de que a perceção de risco em torno da dívida portuguesa esteja a ser afetada. As taxas de juro da dívida no prazo de referência, a 10 anos, continuam praticamente inalteradas na região dos 0,4%, mantendo-se num nível mais favorável do que os juros da dívida espanhola, que está perto dos 0,5%.

Fonte: Trading Economics

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Também em relação ao processo de aprovação parlamentar do próximo orçamento do Estado, a agência de rating Fitch indicou na terça-feira que “segue muito de perto os desenvolvimentos políticos em Portugal”, remetendo mais comentários ao processo orçamental para a próxima revisão da notação de risco da dívida nacional, marcada para 12 de novembro.

Agência de “rating” Fitch “segue muito de perto os desenvolvimentos políticos em Portugal”