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A Rolls-Royce, marca de luxo britânica que faz parte do Grupo BMW, está disposta a mudar radicalmente até 2030. No final desta década, o construtor de Goodwood promete ter uma gama composta exclusivamente por modelos 100% eléctricos. Será uma grande mudança, rumo a uma mobilidade mais amiga do ambiente, que se irá iniciar já no final de 2023 com a entrada em cena do Spectre. Porém, os clientes da Rolls-Royce não parecem ávidos sequer por pequenas mudanças, como a substituição de pele verdadeira por couro sintético ou vegano.

Nunca ninguém nos pediu isso”, revelou Torsten Müller-Ötvös, CEO da Rolls-Royce à Autocar, quando instado pela publicação britânica a assumir se a marca que lidera está ou não na disposição de abandonar o uso (abundante) de pele de origem animal.

A Rolls-Royce, como fabricante de luxo que é, consegue acomodar as mais exóticas exigências de personalização por parte dos seus clientes, pelo que poderia perfeitamente encontrar alternativas para o couro verdadeiro, se tal lhe fosse solicitado – o que não terá acontecido, pelo menos até agora.

Se tal lhe for pedido, a marca não terá qualquer problema em satisfazer essa exigência, salienta Müller-Ötvös, ressalvando contudo que, seja qual for a alternativa encontrada, esta não poderá nunca colocar em causa o requinte a bordo, um dos pergaminhos da Rolls-Royce, cujos artesãos trabalham com peles certificadas e fornecidas por reputadas griffes, como a Hermès, por exemplo.

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A título de curiosidade, foi apreendido em Itália um Rolls-Royce Phantom, em Maio passado, alegadamente vindo da Rússia e que estaria a caminho de um concessionário em Roma. Sucede que as entidades alfandegárias detectaram que o interior tinha pele de um crocodilo em vias de extinção, tratando-se por isso de uma espécie protegida que requer um certificado emitido pelo Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES). O trabalho que pode ver abaixo, além do gosto duvidoso, não primava pela excelência e não passou pela Rolls-Royce, que cumpre os padrões CITES.

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A “moda” de banir a pele de origem animal do interior dos veículos foi iniciada pela Tesla, que nunca disponibilizou couro autêntico nos seus modelos. Depois, outros construtores optaram por eliminá-lo das suas opções, perseguindo uma imagem associada à sustentabilidade. A Volvo, por exemplo, anunciou recentemente que os seus eléctricos vão ser “vegan”, e a Mini fez exactamente o mesmo.

Em especial nos modelos exclusivamente a bateria, a tendência passou a ser propor têxteis obtidos a partir da reciclagem, nomeadamente de plásticos retirados do fundo do mar. A Fiat, por exemplo, começou por fazer logo isso nas versões mild hybrid do 500 e do Panda mild hybrid, numa associação à Sequal a que deu continuidade com o novo 500 eléctrico.