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Passou pela formação do AC Milan, fez a sua estreia como sénior no Casarano, passou também pelo modesto Ternara, chegou à Juventus em 2002, foi cedido ao Perugia mas entretanto já chegara à seleção italiana – e ganhara um bilhete de volta para Turim, de onde saiu para jogar na Fiorentina mas voltou logo na temporada seguinte. Fabrizio Miccoli não era um avançado alto (longe disso até), também não primava pela parte física muito desenvolvida, mas tinha um talento acima da média no ataque e um carisma capaz de criar empatia à primeira vista com qualquer adepto. Foi assim na Luz, quando jogou por empréstimo no Benfica entre 2005 e 2007, foi isso também que aconteceu na Sicília, quando foi contratado pelo Palermo.

Miccoli, ainda se lembra dele? Foi condenado a três anos e meio de prisão por extorsão agravada

Em 2010, com 31 anos, aquele que começou como “o novo Del Piero” mas que foi ganhando depois alcunhas variadas como “Maradona de Salento” ou “pequeno bombardeiro” não estava no patamar que atingira umas épocas antes mas continuava a ser aquele tipo de avançado que nenhuma defesa gostava de encontrar. Em condições normais, era assim que deveria ter acabado a carreira mas a história começou entretanto a mudar, tendo saído em 2013 para o Lecce e terminado com 36 anos no Birkirkara, de Malta. Tudo por um caso.

Começou por ser condenado, voltou a ser condenado, acabou condenado de vez depois da confirmação dada pelo Supremo Tribunal, que recusou o recurso apresentado à sentença de três anos e meio de prisão.

Miccoli, antigo futebolista do Benfica, condenado a três anos de prisão em Itália

Quando estava no Palermo, em 2010, Miccoli soube que Giorgio Gasparini, antigo fisioterapeuta da equipa e pessoa de quem era próximo, ficara sem 20.000 euros que tinha investido sob a forma de empréstimo a Andrea Fraggagnini, dono da discoteca Paparazzi, em Isolla della Firmine. Não quis deixar o caso assim, embora tenha entrado por caminhos que lhe valeram no ano passado a condenação a três anos e meio de prisão por extorsão agravada, pena da qual recorreu primeiro para a Secção Penal de Recurso do Tribunal de Palermo, presidida por Massimo Corleo, e agora para o Supremo Tribunal, sempre sem efeito.

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Segundo a acusação, numa tese que foi confirmada noutras instâncias, Miccoli entrou em contrato com um amigo conhecera como jogador do Palermo, Mauro Lauricella, para resolver a questão. Quem é Mauro? O filho de um dos chefes da máfia, Antonio Lauricella, do distrito de Kalsa, que está agora a cumprir sete anos de cadeia. O internacional recusou sempre que tivesse intercedido no sentido de tentar que Fraggagnini devolvesse a verba (neste caso, com métodos menos lícitos) mas foram intercetadas chamadas do antigo avançado com Mauro Lauricella que não só suportavam a acusação como colocavam Miccoli em xeque pelas considerações feitas sobre o Giovanni Falcone, juiz anti-máfia assassinado pela Cosa Nostra.

Esta quarta-feira, Miccoli entregou-se na prisão, acompanhado pelo seu advogado. “O meu cliente é um homem destruído”, comentou Antonio Savoia à agência ANSA, explicando também o motivo para se ter apresentado num estabelecimento prisional em Veneza e não em Lecce, onde vivia atualmente com a sua família: “A única coisa que ele quer agora é ficar o mais longe possível de tudo e todos”.