Um consórcio de 10 entidades, liderado pela Medway, vai investir 82 milhões de euros para desenvolver em Portugal vagões inteligentes para transporte de mercadorias por ferrovia, permitindo a criação de 65 postos de trabalho diretos, foi esta segunda-feira anunciado.

“A Medway, através de um consórcio formado por 10 entidades, vai desenvolver uma estratégia para recuperar a indústria ferroviária de fabrico de vagões em Portugal, com o intuito de devolver capacidade produtiva ao país, com a criação de vagões inteligentes para mercadorias“, lê-se num comunicado enviado pela antiga CP Carga.

Segundo a Medway, este investimento vai permitir a criação de 65 postos de trabalho diretos, na região do médio Tejo, colmatando o recente desafio de gerar novos postos de trabalho para compensar o encerramento da Central Termoelétrica do Pego, em Abrantes.

O desenvolvimento dos chamados smart wagons (vagões inteligentes) deverá reduzir em 55% as emissões de dióxido de carbono (CO2) durante o processo produtivo, já que a produção vai recorrer a energias renováveis e à incorporação de materiais reciclados, além de exigir uma manutenção mais eficiente.

O consórcio é composto por cinco empresas (Medway Maintenance & Repair, Medway Terminals, Medway Operador Ferrviário de Mercadorias, Nomad Tech e Evoleo Technologies), quatro entidades não empresariais do Sistema de Investigação e Inovação (Instituto Superior Técnico, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial e ISQ) e ainda a Plataforma Ferroviária Portuguesa.

Além do impacto no perfil de especialização da economia portuguesa, este investimento também permitirá recuperar a indústria ferroviária de Portugal e inverter a balança comercial do país, substituindo importações por exportações”, referiu, citado no comunicado, o diretor geral da Medway, Bruno Silva.

Já para o diretor executivo da Plataforma Ferroviária Portuguesa, Paulo Duarte, este investimento é “uma oportunidade irrecusável para demonstrar a nossa capacidade produtiva industrial, aliada às tecnologias inovadoras e de alto valor acrescentado e diferenciadoras no mercado ferroviário, mostrando os resultados que é possível efetuar, num trabalho de equipa e de valorização nacional, a partir do Cluster [plataforma agregadora de conhecimento e competências] Ferroviário.”

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