É um modus operandi que já chegou a lesar algumas vítimas em cerca de 50 mil euros. Começa com um primeiro contacto nas redes sociais, que também inclui os familiares e amigos. Os suspeitos tentam ganhar confiança, “não demora muito tempo”, e pedem fotografias íntimas e “conteúdos sexuais”. Após cederem a esse pedido, as vítimas recebem uma chamada normalmente com o indicativo +244 (de Angola) ou +55 (do Brasil), detalhou Carla Costa, inspetora-chefe da Polícia Judiciária, em conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, no âmbito da operação “Não te Dispas na Net!”, que resultou na detenção de cinco pessoas, todas “estrangeiras”.
O que acontece após a chamada é “chantagem”. As vítimas falam com alguém que se faz passar por um alegado “membro da magistratura” angolana ou brasileira e é-lhes comunicado que cometeram um crime: partilharam as fotografias íntimas ou os conteúdos sexuais com um menor. “A partir daí, há duas formas de atuar”, prosseguiu Carla Costa.
Polícia Judiciária deteve cinco pessoas na operação “Não te dispas na Net!”
O primeiro é que o “suposto elemento das forças policias lhe conta que o menor ficou emocionalmente perturbado” com as imagens e é pedido à vítima de extorsão sexual para lhe pagar os “tratamentos”. Em alternativa, os suspeitos comunicam às vítimas que existe um processo judicial em curso e que têm de pagar uma “determinada coima”.
“As pessoas ficam assustadas, pensam que cometeram um crime”, disse Carla Costa, que assinalou que muitas das vítimas reagem e transferem dinheiro para “contas nacionais”, ficando “efetivamente lesadas com base neste esquema”. Apesar de ressalvar que existem “cifras negras”, a inspetora-chefe da Polícia Judiciária deu conta de que recebeu 300 queixas da utilização deste modus operandi.
Os valores que os suspeitos pedem às vítimas são “díspares”, revelou a inspetora-chefe, indicando que alguns suspeitos foram lesados em 200 euros, enquanto outros em 50 mil euros.
Sobre os suspeitos, Carla Costa adiantou que são cinco e que têm “interação entre eles” com provas de “fluxo monetário com o intuito de branquear os proventos”. Vão ser agora presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação de medidas de coação.