O primeiro-ministro participou, nestes dois últimos dias, na III Cimeira entre a União Europeia e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos, em Bruxelas, e no final do encontro louvou o texto (que só não foi assinado pela Nicarágua) sobre a guerra na Ucrânia. Já quando questionado sobre Portugal e as declarações de Augusto Santos Silva sobre as buscas a Rui Rio, António Costa nem quis ouvir a pergunta colocada por um jornalista: “Nem vale a pena pôr a questão porque depois vai dizer que não respondi”.

A dada altura da conferência de imprensa e depois de já ter falado longos minutos sobre o resultado da cimeira, António Costa estava a ser confrontado com a situação nacional, mas nem deixou o jornalista da RTP completar a pergunta, alegando: “Não vou responder. Só quer fazer a pergunta para dizer que não respondi. Nem quero ouvir. Desta vez pode dizer que nem sequer ouviu a pergunta.”

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Quando está fora o primeiro-ministro costuma rejeitar comentar assuntos internos, no entanto, esta estaria longe de ser a primeira vez que quebrava a regra. A certa altura, o jornalista da RTP ainda lembrou a António Costa que em Vilinius (onde foi a cimeira da NATO) já tinha falado sobre o assunto, mas o primeiro-ministro voltou a interromper o jornalista: “Se falei, está falado”.

Neste momento, as questões nacionais são muitas, com o Conselho de Estado marcado para o dia seguinte ao debate do Estado da Nação desta quinta-feira no Parlamento. Isto além da demissão do secretário de Estado da Defesa, que Costa remeteu para a Justiça à porta do Conselho de Ministros informal, o que foi apontado como uma desvalorização do tema da corrupção. E motivando mesmo um artigo de opinião, publicado no Observador no sábado. Neste texto, Costa queixou-se de ter sido alvo da “construção de uma mentira” a partir de uma pergunta que diz não lhe ter sido colocada sobre corrupção.

Desvalorizo a corrupção?

Desta vez Costa cingiu-se aos temas internacionais, inclusivamente as eleições espanholas, notando o “grande esforço de campanha de Pedro Sánchez” com quem tem uma “relação de camaradagem”. Tentou, no entanto, não pender para o lado do socialista, sublinhando a sua qualidade de primeiro-ministro “de um país irmão”, e referindo-se  à “estima pessoal” que também diz ter com o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo. Para Costa, no final das contas, Portugal tem “de ter sempre relações fraternas com o Governo de Espanha”.

Já sobre a cimeira que decorreu em Bruxelas, Costa focou apenas o acordo sobre um texto que “expressa preocupação com a guerra e o desejo pela paz justa e durável e o apoio à iniciativa do secretário-geral das Nações Unidas para assegurar a exportação dos cereais a partir do Mar Negro”. Foi ainda questionado sobre a fragilidade do acordo, com alguns países a não quererem ir mais longe nesta matéria, mas garantiu ser “uma declaração muito robusta com um grande acordo no ponto em que poderia haver maior divergência”.

Ainda se cruzou com o Presidente do Brasil, Lula da Silva, com quem disse ter falado sobre o Mercosul e sobre “a forma como quer Portugal, quer o Brasil podem ajudar a que o Mercosul e a União Europeia se aproximem”, disse. Costa falou mesmo na existência de “avanços” nas relações bilaterais e numa resposta que está preparada para ser enviada à UE. E espera que o acordo seja possível até ao final da presidência espanhola do Conselho, ou seja, até ao final deste ano.