A potência do motor ajuda a substituir a força que o corpo vai perdendo com o passar dos anos. Aos 61 anos, Carlos Sainz, a bordo de um Audi, conseguiu vencer o rali Dakar pela quarta vez na carreira, mostrando que ainda está aí para as curvas e para os desafios do deserto. Além disso, conseguiu fazê-lo com três recordes.

Não é para todos os sexagenários ainda estarem abertos à inovação e contrariarem os padrões que adotaram ao longo de toda a vida. Carlos Sainz foi ao Dakar com um carro elétrico e tornou-se no primeiro piloto a conseguir vencê-lo com um veículo deste tipo. A representar a Audi, o espanhol atingiu também algo inédito. Nunca ninguém tinha conseguido lograr na prova saudita com quatro marcas diferentes. Sainz tinha-o feito anteriormente com a Volkswagen, com a Peugeot e com a Mini.

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O piloto é agora o mais velho de sempre a conquistar o Dakar e igualou as quatro conquistas do finlandês Ari Vatanen, terceiro colocado da lista dos mais titulados. Segue-se o qatari Nasser Al-Attiyah com cinco vitórias, sendo que o francês Stéphane Peterhansel é o recordista com oito.

Carlos Sainz, que conta com Lucas Cruz como navegador, terminou a 12.ª etapa, em Yanbu, com 01.20.25 de vantagem face a Guillaume De Mévius e 01.25.12 em relação a Sébastien Loeb. “Este carro é tão especial, é tão difícil de guiar, tem sido tão difícil fazê-lo funcionar para terminar e vencer esta corrida. Estou muito feliz pela Audi. Acho que a energia vem da paixão que tenho”, disse o piloto que é pai do homónimo da Fórmula 1. “Para estar aqui com a minha idade e permanecer no alto nível é preciso trabalhar muito. Mostra que quando trabalhamos duro, normalmente compensa. Neste momento, quero aproveitar esta vitória e pensarei no meu futuro nas próximas semanas. Veremos o que acontece”.

Carlos Sainz é mais um exemplo de longevidade no desporto. Em Portugal, reside outro exemplo. Kazu Miura joga da Oliveirense, emblema da Segunda Liga, e permanece no ativo com 56 anos. Esta época, o jogador japonês soma um total de seis minutos de utilização divididos em três jogos. Porém, na casa dos 60 ou mais, torna-se raro encontrar exemplos de sucesso.

Svetlana Zilberman, no badminton, tornou-se na jogadora mais velha a ganhar um jogo no Mundial da modalidade aos 64 anos. No tiro, Oscar Swahn conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Estocolmo (1912) também aos 64 e, mais tarde, em Antuérpia (1920), alcançou a prata aos 72 anos. No mesmo desporto, Jerry Milner conseguiu o ouro aos 61. Lida Peyton Pollock e Galen Carter Spencer, no tiro com arco, conseguiram, aos 63 e 64, respetivamente, medalhas de ouro no tiro com arco. Aos 70 anos, Bob Long ficou em primeiro lugar numa icónica prova de resistência onde os participantes percorrem a cavalo 1.000 quilómetros na Mongólia.