Roberta Medina lembra que, quando chegou ao Parque da Bela Vista, em Lisboa, um pouco antes de 2004, passou uma semana com uma fita de quatro metros a fazer medições num espaço onde parecia impossível imaginar palcos, espaços de refeições ou atividades. 20 anos depois, não foi necessário um processo tão rudimentar para visualizar o novo recinto do Rock in Rio, mas quase.
“Quando começaram a montar a base do Palco Mundo, eu olhava da tenda VIP para lá e pensava ‘Isto não vai dar, não vão caber aqui tantas pessoas’. Disse ao Ricardo [Acto, vice-presidente de operações e marido de Roberta Medina]: ‘Tens a certeza que cabem’? Ele disse: ‘Claro que tenho, mas amanhã vou lá e meço a passo’. Ele já trabalhou em obras, sabe mais ou menos, então no dia seguinte veio, mediu com passos e disse “Tem espaço, tem’. Depois falei com a Andreia [Peres], que é a nossa diretora de engenharia e montagens. ‘Tens a certeza que cabem as pessoas?’ Ela disse: ‘Cabem, mas vou ver novamente’. É muito engraçado porque, mesmo tendo toda a tecnologia de hoje, olhamos e ficamos com dúvidas”, diz ao Observador a vice-presidente do festival que se instala no Parque Tejo a 15, 16, 22 e 23 de junho.
Decidir trocar a Bela Vista, parque que demonstrou ser um anfiteatro natural, pelo espaço à beira do Rio Tejo que, até agora, só recebeu a Jornada Mundial da Juventude, não foi fácil. “Como é que íamos sair da nossa casa? E explicar isso às pessoas? Acho que só vão entender os motivos quando aqui chegarem”, afirma Roberta Medina.
O que a convenceu foram os estudos realizados. “Primeiro, estudámos fisicamente o local, palcos, disposição, som, acessos, como é que tudo ia funcionar. Depois, os impactos financeiros. Quando fechámos o Ed Sheeran [que atua no dia 16], percebemos que íamos ter um evento musculado que nos permitia avançar para um novo espaço. Demorámos dois meses até ligar [a Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa] para dizer ’vamos lá’”.
▲ As atrações extra-música continuam a ser aposta da organização do Rock in Rio e, desta vez, o slide terá uma vista completamente nova e a já habitual roda gigante está diferente
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Os portões abrem-se às 13 horas de 15 de junho (e à mesma hora em todos os dias do evento) para mais 30 mil metros quadrados de espaço a mais. “O que significa mais investimento, mais ou menos uns quatro milhões a mais do que na Bela Vista”, revela Roberta Medina.
[Já saiu o quarto episódio de “Matar o Papa”, o novo podcast Plus do Observador que recua a 1982 para contar a história da tentativa de assassinato de João Paulo II em Fátima por um padre conservador espanhol. Ouça aqui o primeiro episódio, aqui o segundo episódio e aqui o terceiro episódio]
As letras vermelhas do logo continuam a assinalar o acesso ao recinto, a fonte luminosa com a guitarra regressa, assim como o fogo de artifício, os palcos estão maiores e o desnível mais suave no terreno permite visualizar facilmente as várias áreas. A Rock Street tem lojas e a polémica pala criada para acolher o Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, em agosto de 2023, é reinventada com a All Experience.
A décima edição do festival em Portugal conta com 480 casas de banho, acessíveis a mobilidade reduzida e com a opção não binária, 12 equipas de médicos e enfermeiros da Lusíadas Saúde no terreno, a Rock Street com diversas lojas e a Cupido House (uma capela para recordar a passagem do RiR por Las Vegas) é um dos destaques da Rota 85, uma zona que recorda os 20 anos do evento em Portugal e os 40 no Brasil, onde nasceu.
A lotação máxima mantém-se nas 80 mil pessoas, mas há a hipótese de crescer no futuro. “Pode ser. Conhecemos bem o mercado nacional, portanto agora queremos aumentar a capacidade focada no mercado internacional. Se ficarmos aqui, para o ano estamos com um plano de turismo forte para incentivar a vinda até Lisboa.
A poucos dias da nova edição, a grande impulsionadora do Rock in Rio em Portugal está “histericamente feliz”, mas ainda é preciso terminar as montagens no Palco Mundo (além de todos os outros) a tempo de receber Scorpions, Jonas Brothers, Doja Cat, Fernando Daniel ou Carolina Deslandes, que vão atuar com a Ponte Vasco da Gama nas costas.
Para quem se prepara para visitar a cidade do rock, há outras informações importantes, desde os acessos às funcionalidades da app oficial, passando pela água gratuita.
Bebedouros para todos
De acordo com a organização, na edição deste ano as pessoas poderão levar de casa garrafas com capacidade até meio litro. Pelo recinto estão espalhados mais de 100 bebedouros que servirão para encher os recipientes com água as vezes que forem necessárias. “Ninguém precisa de comprar água para estar hidratado”, assegura Roberta Medina.
Quanto à falta de sombras comparativamente ao Parque da Bela Vista, a organização explica que todas as áreas de alimentação terão pérgolas. As opções para comer dividem-se em 39 localizações, incluindo o Continente Chefs Garden, “uma zona com comida mais caseira e diferenciada”.
Como chegar
“Os transportes públicos são a única opção”, começa por dizer Roberta Medina, tentando sensibilizar o público a deixar o carro em casa ou, pelo menos, longe da zona do Parque Tejo.
As estações de comboio de Sacavém e do Oriente são as mais próximas do recinto. A primeira fica a sete minutos a pé e a segunda tem um shuttle oficial que cobrirá o percurso. O bilhete de ida e volta pode ser comprado antecipadamente na app do evento, custa 1€ e inclui um copo reutilizável. Se a compra for feita nos dias do festival, o valor sobe para 2€, sem copo.
O metro terá reforço, a Carris percursos especiais e horários alargados. CP, Rede Expresso, Flixbus, TSL, Fertagus, entre outros, oferecem descontos. As informações detalhadas estão no site.
Além disso, para quem quiser ou tiver mesmo de utilizar o carro, os parques de estacionamento Telpark (Oriente, Campolide, entre outros) têm o custo de 3,90€ por 24 horas, garantindo o shuttle até ao Parque Tejo.
Levar a viatura até à zona circundante é mais do que desaconselhado, já que o trânsito nas ruas envolventes estará condicionada a partir das 8h nos dias de festival.
▲ A vice-presidente do Rock in Rio, Roberta Medina, e o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, estiveram presentes na apresentação à imprensa
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A pala All Experience
“A ideia da Roberta foi genial, foi continuar uma conversa onde na pala que simula uma onda que junta o diálogo entre água e pessoas”, garante Carlos Moedas.
Os colaboradores do RiR com menos de 30 anos criaram uma exposição que idealiza um mundo melhor (com temas de paz, clima, direitos humanos, entre outros). O espaço é instagramável e há pulseiras colecionáveis com diferentes cores, cada uma referente a um dos temas.
Silêncio que se vai jogar futebol
A 22 de junho, o recinto ficará em silêncio pelas 17 horas para que o jogo Turquia-Portugal, a contar para o Euro 2024, seja transmitido nos ecrãs sem outras interferências. Nesse dia, a marcha vencedora das Marchas de Lisboa, assim como os noivos de Santo António deste ano, desfilarão pelo espaço para marcar uma espécie de integração do festival nas festas da cidade.
Atrações reservadas na app
As atrações extra-música continuam a ser aposta da organização do Rock in Rio e, desta vez, o slide terá uma vista completamente nova e a já habitual roda gigante está diferente. As cabines são fechadas e têm decoração no interior. Porém, a grande novidade é o facto de já não ser preciso ficar à espera em filas. Na app do festival vai ser possível reservar as atividades que pretende experimentar. A app terá também uma agenda personalizada com os horários dos concertos que mais agradam a cada pessoa.
Em contagem decrescente para a primeira abertura de portas do Rock in Rio no Parque Tejo, o entusiasmo é partilhado pela organização e pela autarquia. “A Roberta [Medina] é dura em negociações”, conta o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas. “Quando fizemos aqui uma visita secreta, disse-me ‘não sei, não sei’”.
Dúvidas desfeitas, num recinto maior e completamente reorganizado, o Rock in Rio trabalha também para o futuro da zona, diz o autarca. “Vão deixar aqui coisas invisíveis mas importantes, como rede elétrica e um sistema de água. Juntos fizemos cidade.”