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Novo foguetão europeu Ariane 6 já “libertou” nanossatélite português no espaço

Com 4 anos de atraso, o Ariane 6 descolou esta terça-feira e, pelas 21h06, deixou o nanossatélite português no espaço. Vai ficar a 580 quilómetros da Terra, acima da Estação Espacial Internacional.

Lançamento de estreia do foguetão Ariane 6, da ESA
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As nações europeias estavam sem acesso independente ao espaço desde a reforma do Ariane 5

Agência Espacial Europeia (ESA)

As nações europeias estavam sem acesso independente ao espaço desde a reforma do Ariane 5

Agência Espacial Europeia (ESA)

O novo foguetão da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) Ariane 6 foi lançado esta terça-feira a partir da Guiana Francesa. Pelas 21h06 (hora de Portugal Continental) ejetou o nanossatélite português ISTSat-1, construído por estudantes e professores do Instituto Superior Técnico (IST).

O satélite custou cerca de 270 mil euros e vai ficar em órbita entre cinco e 15 anos antes de reentrar na atmosfera. Enviará os primeiros dados até cerca de um mês depois do início das operações. Junto com o ISTSat-1, seguiram no módulo superior do Ariane 6 outros pequenos satélites e equipamentos científicos de instituições, empresas e agências espaciais estrangeiras, incluindo da NASA.

Em declarações no IST em Oeiras momentos antes do lançamento do foguetão, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, salientou que o momento simbolizava a ligação com o que é feito em Portugal “há alguns anos” e que permite que hoje Portugal seja “emergente numa área decisiva que é a aeroespacial”.

Mas o momento é também importante, disse, por a Europa voltar a ter autonomia na colocação de satélites no espaço, porque antes dependia de foguetões dos Estados Unidos. Fernando Alexandre destacou também que a evolução no setor aeroespacial permite a ligação entre a ciência e a ciência aplicada, “que resolve problemas da humanidade”, permitindo aplicações em outros setores, como a defesa. Hoje, advertiu, o investimento em defesa é investimento numa das áreas mais importantes. “Se Portugal ficar de fora não vamos poder aproveitar competências e talento que estamos aqui a gerar e provavelmente continuaremos a alimentar a indústria de outros países”, defendeu.

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O terceiro satélite português em órbita

O ISTSat-1, um pequeno satélite cúbico com dez centímetros de aresta, é apenas o terceiro satélite português a seguir para o espaço — o segundo numa questão de poucos meses e o primeiro “100% português”. Foi desenvolvido ao longo dos últimos anos por uma equipa de mais de 50 pessoas, entre alunos e professores do Técnico.

“A única coisa que não é nossa são alguns componentes críticos, como os painéis solares e o sistema de instalação das antenas em órbita. De resto, todos os subsistemas foram feitos por nós“, explicou em maio o investigador Rui Rocha, coordenador do desenvolvimento do satélite, ao Observador.

Satélite “100% português” vai ao espaço testar nova tecnologia para detetar aviões. “Quem sabe se um dia nos compram o sistema”

O ISTSat-1 vai estar posicionado a 580 quilómetros da Terra, acima da Estação Espacial Internacional, e a sua missão será detetar aviões a partir de órbita. É um serviço que várias empresas já fazem, como é o caso da constelação de satélites Iridium. No entanto, isso só é possível através de satélites de grandes dimensões que utilizam um sistema de deteção ADS-B (sistema associado à gestão e controlo do tráfego aeronáutico), mas que implica maiores gastos de energia, além de ser mais difícil de colocar em órbita.

Os criadores do ISTSat-1 esperam que isso possa mudar com o novo modelo. “Esta tecnologia é, do nosso ponto de vista, mais simples e económica do que aquela que neste momento já está a bordo de alguns satélites em órbita. E é isso que queremos testar depois do lançamento”, acrescentou Rui Rocha.

Na altura o investigador adiantou ao Observador que “se os astros se alinharem” e tudo correr bem, nos primeiros 45 minutos depois do lançamento podem começar a chegar os primeiros sinais de vida do ISTSat-1. Depois disso começa a próxima etapa: analisar os resultados captados pelo satélite em zonas de grande movimento de aviões, como é o caso dos Açores, e comparar com os resultados que se obtêm a partir de terra. Se os resultados forem promissores, o passo seguinte será comercializar o satélite.

Ariane 6, o foguetão de 4,5 mil milhões de euros desenhado para ser mais sustentável

O Ariane 6, que teve um custo total de 4,5 mil milhões de euros, descolou esta terça-feira da base espacial europeia em Kourou, na Guiana Francesa. Chegou a órbita 18 minutos e 44 segundos depois do lançamento. Uma hora depois de largar uma série de satélites que seguiam a bordo, incluindo o ISTSat-1, a missão era considerada um sucesso.

“Um foguetão completamente novo não é lançado com frequência e o sucesso está longe de estar garantido. Sou privilegiado por testemunhar este momento histórico”, sublinhou o diretor-geral da ESA, Josef Aschbacher. A conquista também foi celebrada pelo administrador da agência espacial norte-americana. “A ESA dá um passo gigante com o seu poderoso foguetão de nova geração”, escreveu Bill Nelson na rede social X.

Apesar de declarado um sucesso, ESA relatou uma anomalia na fase final do voo, que levou o Ariane 6 a desviar-se da trajetória planeada e tornou impossível atingir a altitude necessária para libertar a parte final da carga. Os responsáveis do ArianeGroup — a empresa aeroespacial francesa que construiu o foguetão — indicaram que pode levar pelo menos duas semanas a analisar os dados e perceber o que correu mal.

Apesar disso, o chefe executivo da Arianespace, a empresa que opera o foguetão, já garantiu que a anomalia “não tem impacto nos próximos lançamentos”. “Estamos no caminho certo para fazer um segundo lançamento este ano”, disse numa conferência de imprensa após o lançamento. Está, aliás, planeado para dezembro, com mais seis voos previstos em 2025.

O voo inaugural acontece com quatro anos de atraso e o novo modelo substituiu o Ariane 5, que durante mais de 25 anos e 117 lançamentos desde sua inauguração (1996) foi o principal foguete usado na Europa. Responsável por levar equipamentos como o famoso telescópio James Webb, fez o seu último voo em julho de 2023. Um outro foguete da ESA, o Vega-C, de menor dimensões, também não estava a voar desde 2022 devido a uma falha durante um voo.

Os estados europeus estavam, assim, sem meios próprios para chegar ao espaço desde julho do ano passado. “Como a segunda maior economia do mundo, a Europa deve assegurar seu acesso ao espaço de forma segura e autónoma, para não depender das capacidades e prioridades de outras nações”, já tinha referido a ESA num comunicado anterior à estreia. “Com o lançamento do Ariane 6, a Europa não está apenas a lançar um foguete para o espaço, está a afirmar o seu lugar entre as nações do mundo que o exploram”, acrescentava.

O novo modelo promete superar o Ariane 5 em muitos aspetos e ser capaz de transportar satélites de grandes dimensões. Tem entre 52 e 62 metros de altura, 5,4 metros de diâmetro e pode carregar até 540 ou 870 toneladas, dependendo do modelo, já que foram criadas duas versões (Ariane 62, com dois foguetes propulsores, e o Ariane 64, com quatro).

O objetivo é também possibilitar lançamentos a um custo razoável. A expectativa incial era baixar em 50% o preço face a outros foguetes da ESA, mas o valor foi subindo durante o desenvolvimento do modelo e os responsáveis da agência europeia e do ArianeGroup têm sido evasivos sobre o custo a pagar em cada voo.

O Ariane 6 foi pensado e desenhado para ser um modelo mais sustentável. Por exemplo, toneladas de água são bombeadas do seu sistema durante o lançamento, para ajudar a suprimir o ruído do foguetão e dos motores. O objetivo é que essa água seja cuidadosamente recuperada a cada lançamento e armazenada para o próximo, segundo explica a ESA.

O módulo superior do Arian6 pode reiniciado graças ao novo motor Vinci

Uma outra novidade é que graças ao seu motor (Vinci) será possível parar e reiniciar o módulo superior do Ariane 6. A ideia é que seja possível o foguetão fazer paragens em diferentes órbitas, mas também ser capaz de desorbitar por si próprio quando deixar de ser necessário e garantir que não se torna lixo espacial.

Segundo a ESA, é possível reiniciar o módulo superior do foguetão quatro vezes. Foi precisamente depois do segundo arranque que a trajetória do Ariane 6 se desviou do previsto. O sistema de propulsão auxiliar, que ajuda a reiniciar o sistema, ainda ganhou força uma terceira vez, mas acabou por desligar-se como medida de segurança. Como tal, o módulo superior do foguetão não voltou a reiniciar.

Assim, pelo menos desta vez, a ESA não vai ser capaz de cumprir a grande promessa e não será possível ver o equipamento a manobrar-se em direção à Terra. Dependendo da órbita em que estiver, pode demorar vários anos até que acabe por naturalmente iniciar a descida.

Atualizado às 10h de quarta-feira

 
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