A base criada ao longo dos anos conta, a ligação emocional que a perda de Alfredo Quintana gerou em toda a comunidade do andebol também, o aparecimento de novas gerações com tanto ou mais potencial idem. No entanto, e quando tentamos perceber as razões para o salto qualitativo da Seleção Nacional sobretudo desde 2020, quando Portugal brilhou no Campeonato da Europa antes de ser destaque no Mundial e chegar pela primeira vez aos Jogos Olímpicos, há um ponto pouco falado mas que faz toda a diferença: o ambiente que os Heróis do Mar conseguem criar quando se juntam, quase como se houvesse um clique que faz com que todos joguem, convivam e se conheçam de olhos fechados. Este Mundial de 2025 não seria a exceção.

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É certo que Paulo Pereira teve um período mais curto do que é normal antes de chegar à fase final que, da parte portuguesa, começava na cidade norueguesa de Oslo. Todavia, todos os ingredientes estavam reunidos à exceção da ausência de Alexis Borges por questões pessoais e os testes feitos em França com a Rep. Checa e o conjunto gaulês mostraram que o “modo competição” estava ativado. Com novas nuances de jogo, com um 7×6 mais trabalhado perante a realidade que encontraria na competição, com outras soluções defensivas para ser melhor nas partidas mais equilibradas, com o bom ambiente do costume. Tudo até esta quarta-feira. E um dia que deveria ser “apenas” o dia de estreia tornou-se uma derrota ainda antes do encontro.

“O atleta Miguel Martins e a Federação de Andebol de Portugal foram notificadas, no ano de 2024, da pendência de um processo instaurado pela unidade de antidoping da EHF, relacionado com alegadas violações de normas de Dopagem pelo atleta, na sequência de controlo realizado no âmbito dos trabalhos da Seleção Nacional A. No prazo legal, o atleta exerceu a sua defesa, apresentando no processo, com o apoio da FAP, todos os elementos considerados por adequados ao esclarecimento da situação ocorrida, o que foi acompanhado de esclarecimentos adicionais pela Federação de Andebol de Portugal, incluindo de natureza médica. Até ontem, decorridos vários meses, o processo citado não teve qualquer desenvolvimento, não tendo nem o atleta, nem a FAP, tomado conhecimento de qualquer notificação no seio do mesmo”, começou por explicar a Federação de Andebol de Portugal através de um comunicado com sete pontos.

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“No dia de ontem [terça-feira], o atleta e a FAP foram notificados da suspensão preventiva do atleta, com efeitos imediatos, de toda e qualquer atividade no seio da modalidade, o que inclui a realização de treinos ou atividades oficiais, quer no seu clube, quer em especial na Seleção Nacional A. O atleta não está a participar em qualquer atividade da Seleção Nacional e não disputará o Campeonato do Mundo em causa (…) O atleta Miguel Martins é internacional português, tem participado em variadas competições internacionais de relevo, sempre representou Portugal de forma honesta e íntegra enquanto profissional de andebol, constituindo um exemplo para a comunidade do Andebol, a nível nacional e internacional”, destacou, entre a manifestação da total solidariedade com o central, tal como aconteceu com o atual clube, o Aalborg.

“Fiquei profundamente chocado com esta informação e farei tudo o que estiver ao meu alcance que sempre agi e continuarei a agir de acordo com os valores do desporto”, salientou Miguel Martins num texto que foi publicado na página oficial do Instagram. Ou seja, e enquanto esse momento não chega, Portugal perdia uma das duas peças mais importante, tendo em conta que era um dos dois centrais de raiz a par de Rui Silva. Se a estreia com os EUA era um daqueles encontros em que ficava sobretudo por saber a dimensão da vitória em termos de margem, ganhou outro peso quase como homenagem ao jogador. Entre as facilidades, com um conjunto norte-americano muito abaixo dos outros, assim foi. As dificuldades chegarão a seguir, a começar pelos outros dois jogos da ronda preliminar diante do Brasil (sexta-feira) e da Noruega (domingo).

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Cedo se percebeu que a estreia no Mundial seria mesmo uma notícia secundária perante a superioridade de Portugal frente aos EUA, a anos luz do ponto em que deveriam estar nesta fase tendo em conta que irão ser os organizadores dos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles. Fofana ainda foi tentando resistir mas a boa defesa da Seleção em 6:0 com o lateral da ponta oposta sempre mais avançado serviu para uma vantagem de 4-1 com pouco mais de cinco minutos e 10-4 com 20 minutos. O intervalo chegaria com um avanço de “apenas” cinco golos (15-10), com seis golos de Pedro Portela e quatro de Martim Costa, mas foi preciso esperar até ao 21.º minuto para haver um remate falhado por defesa do guarda-redes norte-americano.

A segunda parte foi aproveitada sobretudo para testar novos jogadores e movimentos para o que se segue neste Mundial. Houve ataques com dois pivôs, houve esboços de defesa 3:3, houve minutos para elementos como João Gomes, Ricardo Brandão ou Miguel Oliveira, houve talvez mais tempo de jogo do que seria esperado para Rui Silva apesar de ser dispensado das ações defensivas, houve margem para golos diretos em ataques rápidos após golo sofrido tendo Salvador Salvador a fazer o que é habitual no seu clube, o Sporting. Houve um pouco de tudo até à vitória por 30-21 menos Miguel Martins. E essa foi a notícia má do dia, numa exibição regular perante um adversário frágil que não conseguiu colocar Portugal realmente à prova.