À procura de encontrar a forma que apresentou nos primeiros meses da temporada, a última semana não foi particularmente positiva para as hostes leoninas. Em Leiria, o Sporting caiu nos penáltis na discussão da Taça da Liga, frente ao Benfica (1-1, 6-7 g.p.) e colecionou mais um troféu perdido na decisão final, depois de ter sucumbido na Supertaça ante o FC Porto (3-4 a.p.). A juntar a mais um objetivo falhado, Rui Borges viu-se obrigado a afastar Marcus Edwards do plantel principal devido à falta de profissionalismo do inglês e “perdeu” Viktor Gyökeres.

Trubin foi o juízo de um treinador que nunca quis confiar na sorte (a crónica da final da Taça da Liga)

Foi precisamente por aí que ficaram marcadas as horas que antecederam este Rio Ave-Sporting. Na conferência de imprensa de antevisão do encontro, Borges confirmou que o avançado sueco estava “em dúvida até à hora do jogo”, pelo que a alternativa podia passar pela titularidade de Conrad Harder ao lado de Francisco Trincão, o autor do penálti defendido por Anatoliy Trubin que deu o título de campeão de Inverno aos encarnados em Leiria. Para além disso, o técnico lembrou que a equipa está muito “fatigada” e precisa de ser “gerida”, sinais que levantam alguma preocupação nos campeões nacionais, dado o lote de lesionados.

Ficha de jogo

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Rio Ave-Sporting, 0-3

18.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Rio Ave, em Vila do Conde

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

Rio Ave: Cezary Miszta; Marious Vrousai, Pancho Petrasso, Aderllan Santos (João Graça, 76’), Omar Richards; João Novais (Martim Neto, 46’), Demir Tiknaz (Andreas Ndoj, 76’), Ole Pohlmann (Valentim Sousa, 76’); Kiko Bondoso, Brandon Aguilera e Karem Zoabi (Tiago Morais, 62’)

Suplentes não utilizados: Antzelo Sina; Vítor Gomes, João Tomé e Renato Pantalon

Treinador: Petit

Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda, Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Zeno Debast (João Simões, 68’), Morten Hjulmand, Geny Catamo (Daniel Bragança, 81’), Geovany Quenda; Francisco Trincão (Ricardo Esgaio, 89′) e Conrad Harder (Viktor Gyökeres, 81’)

Suplentes não utilizados: Franco Israel; Jeremiah St. Juste, Hidemasa Morita, Alexandre Brito e Mauro Couto

Treinador: Rui Borges

Golos: Aderllan (a.g., 3’), Hjulmand (g.p., 23’) e Gyökeres (88′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Aguilera (54’) e Maxi Araújo (90+4′)

“É uma semana com um dia ou dois a mais, mas não foge do que tem sido a recuperação. É claro que a equipa está claramente com fadiga. Têm jogado quase sempre os mesmos jogadores, derivado às lesões que temos tido. Deu para treinar um ou outro pormenor, apesar de não ser em dois dias em que treinámos uma ou outra situação que achamos mais importante. Foi uma semana boa para recuperar de alguma da fadiga que temos tido para depois entrar num ciclo de muitos jogos novamente. Estamos com alguns contratempos, o que exige algum cuidado”, analisou Borges.

Pela frente, o Sporting tinha uma dificílima deslocação a Vila do Conde, reduto que se tem mostrado intransponível nos últimos meses, já que o Rio Ave chegava a este encontro sem perder em casa desde outubro de 2023. Na época transata, os vilacondenses empataram nas receções a Sporting (3-3) e Benfica (1-1) e também na visita ao Dragão (0-0), ainda que a situação atual seja distinta. Durante a primeira volta, os rioavistas visitaram os três palcos, perderam os três jogos e só marcaram um golo, curiosamente em Alvalade, sofrendo dez.

“Sabemos que do outro lado há uma equipa forte que está a começar a crescer, mas quando tivermos bola teremos de ter personalidade. O Sporting joga bem entrelinhas e no ataque à profundidade. Olhámos para o que podemos fazer. Vamos dar tudo para conseguir os três pontos. Vamos estar preparados para dar continuidade ao que tem sido feito na nossa casa, que tem sido uma fortaleza. 20 jogos sem perder? São marcas que vêm de trás. Queremos continuar com esse registo, nada é impossível, e temos de acreditar nas nossas capacidades e trabalhar para conquistar os três pontos”, perspetivou Petit.

A hora que antecedeu a partida confirmou a ausência de Gyökeres do onze inicial, embora o sueco tenha sido opção a partir do banco de suplentes. Para lá da titularidade de Harder, Borges apostou de imediato em Rui Silva na baliza e fez regressar à equipa Iván Fresneda, Gonçalo Inácio e Zeno Debast, com o internacional belga a jogar ao lado de Morten Hjulmand no meio-campo. Já Petit promoveu apenas duas alterações, com Demir Tiknaz a render Martim Neto no miolo e Karem Zoabi a fazer do goleador Clayton no ataque. O avançado, que tem sido associado ao Benfica nesta janela de transferências, cumpriu suspensão frente aos leões.

Os leões entraram dominadores na partida e, logo no terceiro minuto do desafio, chegaram ao golo, com Aderllan Santos — a cumprir o jogo 200 pelo Rio Ave — a introduzir a bola na própria baliza depois de um cruzamento de Geovany Quenda (3′). Com Debast a baixar para junto dos centrais na primeira fase de construção, o conjunto de Rui Borges continuou confortável perante uns vilacondenses encolhidos na partida e, pouco depois, Harder ficou perto do golo em duas ocasiões (10′ e 11′). O Sporting continuava a ter espaço e, depois de ganhar a frente aos centrais, Trincão atirou para nova defesa de Cezary Miszta, que saiu rapidamente da baliza (15′).

Com a formação de Petit sem se conseguir encontrar defensivamente, os leões continuaram a acercar-se da baliza adversária e, num lance aparentemente inofensivo, conquistaram um penálti, já que Pancho Petrasso cortou um passe de Harder com o braço esquerdo. Na cobrança do castigo máximo, Hjulmand não desperdiçou e atirou colocado para a esquerda de Miszta (23′). A toada manteve-se até ao intervalo e o resultado só não se avolumou porque Quenda acertou em cheio na trave da baliza rioavista (38′) e Miszta parou nova tentativa do avançado dinamarquês (39′).

O técnico do Rio Ave tentou retificar ao intervalo, ao lançar Martim Neto no lugar de João Novais, e tentou reentrar no jogo, embora timidamente. O Sporting continuou a criar perigo por Harder que, depois de não ter emendado um cruzamento de Quenda (52′), rematou com perigo para nova defesa de Miszta (58′). Na jogada seguinte foi a vez de Hjulmand colocar o polaco à prova, que voltou a levar a melhor (60′). À entrada para os últimos 20 minutos foi a vez de Trincão desperdiçar o terceiro golo, com nova intervenção de Miszta (71′). Gyökeres viria a ser lançado na ponta final, já com o jogo em modo de gestão, e também fez o gosto ao pé com um remate em arco (88′), acertando depois no poste (90+2′).

Com este triunfo (0-3), o Sporting voltou a fixar-se à frente do rival Benfica e continua na liderança isolada da Primeira Liga, com 44 pontos, mais três que os encarnados e quatro que o FC Porto, que joga este domingo em casa do Gil Vicente.