O antigo grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal (GLLP) José Manuel Anes anunciou este sábado que vai propor a extinção do MAAP, movimento criado para apoiar a candidatura do almirante Gouveia e Melo a Presidente da República.

Numa nota enviada à agência Lusa, José Manuel Anes, antigo presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) refere que pretende extinguir o MAAP (Movimento de Apoio do Almirante a Presidente) depois de o ex-chefe do Estado-Maior da Armada se ter demarcado publicamente dessa associação.

José Manuel Anes admite “precipitação” na intenção de criar movimento de apoio a Gouveia e Melo e revela que o almirante ficou “aborrecido”

“Face aos últimos acontecimentos e ao desagrado manifestado pelo almirante Gouveia e Melo, decidi propor a dissolução do Movimento de Apoio ao Almirante a Presidente na Assembleia Geral prevista para dia 29 de janeiro”, escreveu José Manuel Anes.

Numa publicação feita no Facebook este domingo, José Manuel Anes escreveu que “face aos últimos acontecimentos e à reação negativa do almirante Gouveia e Melo decidi propor a dissolução do respetivo movimento de apoio”.

Gouveia e Melo demarca-se de movimento de maçons que apoia a sua candidatura

Também António Brás Monteiro, outro integrante do movimento, anunciou o fim da ligação ao movimento. Numa mensagem publicada no Facebook, detalha que aceitou integrar o movimento pelos “valores de independência, coerência e transparência” de Gouveia e Melo. Embora frise que mantém uma “convicção inabalável” de que o almirante “é o candidato ideal para Portugal”, não se revê “em polémicas” e considera “que não estão reunidas as condições” para manter a colaboração com o MAAP.

“Termino, assim, a minha ligação ao movimento, mas reafirmo o meu total apoio ao senhor almirante Gouveia e Melo e continuarei a trabalhar em iniciativas que contribuam para a sua candidatura”, escreveu.

Na quinta-feira, o almirante Gouveia e Melo demarcou-se publicamente da associação que está a apoiar a sua candidatura presidencial (MAAP), afirmando não sentir qualquer responsabilidade nas ações dos seus membros.

Maçons influentes criam movimento de apoio a Gouveia e Melo à Presidência

“Informo para os devidos efeitos que o cidadão Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo, Almirante e antigo Chefe de Estado Maior da Armada, na reserva, e no exercício pleno dos seus direitos civis, não está ligado à criação da associação MAAP e não sente qualquer responsabilidade pelas ações dos seus membros, muito menos poderá escrutinar todas as pessoas que através deste, ou doutro modo o venham apoiar”, esclarece num comunicado enviado à agência Lusa.

No texto, Gouveia e Melo defende “de forma clara que qualquer cidadão deve ter o direito à defesa do seu bom nome e reputação até ser condenado” e garante não querer “participar em qualquer atividade que fira esse princípio da liberdade individual”.

O comunicado do ex-chefe do Estado-Maior da Armada surgiu 24 horas após ter sido oficializada a constituição do Movimento de Apoio ao Almirante à Presidência (MAAP) e alguns dias após a publicação de uma sondagem que o coloca como o candidato mais bem posicionado para suceder a Marcelo Rebelo de Sousa na chefia do Estado.

A comissão organizadora do MAAP, de acordo com a escritura que a formaliza, é composta por António Brás Monteiro, José Manuel Anes e Paulo Azevedo Noguês. Cristina Valente e Manuel Ferreira Ramos são também membros fundadores do movimento, esclareceu na quarta-feira o movimento em comunicado.

José Mateus, da associação “Círculo de Estratégia D. João II”, além de José Manuel Anes e Paulo Noguês, diretor e administrador, respetivamente, da revista “Segurança e Defesa”, marcaram presença na escritura que oficializou o movimento na quarta-feira.