O BPI aumentou os lucros anuais em 12% em 2024, para 588 milhões de euros, com os resultados a continuarem a beneficiar da margem financeira, isto é, a diferença entre os custos que o banco paga para se financiar (depósitos, sobretudo) e os juros cobrados nos créditos que concede. As comissões também subiram – 7%, em termos comparáveis – embora o banco garanta que se trata apenas de uma maior cobrança relacionada com o negócio e não com mudanças nos preçários.
A informação foi comunicada ao supervisor de mercado, a CMVM, e está a ser apresentada pelo presidente da comissão executiva, João Pedro Oliveira e Costa, em conferência de imprensa em Lisboa. Oliveira e Costa salientou, na conferência de imprensa, que os resultados do banco foram impulsionados pelo facto de as taxas de juro na zona euro estarem a baixar de forma mais lenta do que se previa.
A atividade principal do BPI, que é 100% detido pelo espanhol Caixabank, contribuiu com 511 milhões de euros para o resultado anual – um aumento de 15%. O resultado restante advém do mercado moçambicano e angolano (BCI e BFA).
Na atividade em Portugal, a margem financeira subiu 4% para 977 milhões de euros apesar de as taxas de juro terem descido de forma significativa em 2024. Já as comissões (na atividade em Portugal) cresceram 12% para 327 milhões de euros. Esse aumento de 12% inclui um efeito extraordinário relacionado com uma comissão vinda da Allianz, na área das pensões, pelo que a subida comparável (excluindo esse efeito one-off) é de 7%, explicou o presidente do banco.
“Paliativo”. BPI recebeu 750 pedidos de crédito com garantia pública, aprovou 40%
O BPI referiu, na conferência de imprensa, que recebeu desde o início do ano 750 pedidos de crédito com garantia pública (por parte de jovens até 35 anos). Os pedidos equivalem a 140 milhões de euros sendo que, destes 750 pedidos, “cerca de 40% estão do lado dos clientes”, ou seja, já foram aprovados pelo banco e o crédito está “em período de reflexão, obtenção de documentos ou marcação de escritura”.
“Os processos estão em curso, nós vamos cumprir o decreto-lei, temos feito muita formação a todos os nossos quadros para que haja uma resposta correta sobre este assunto e procuramos ir ao encontro daquilo que é a vontade dos jovens e a vontade do governo ao lançar esta medida”, afirmou João Pedro Oliveira e Costa, confirmando que a maioria dos pedidos vêm da zona de Lisboa e Porto. O responsável salientou, porém, que esta medida é um “paliativo” e que não irá resolver o problema de acesso à habitação por parte dos jovens.
Na área da habitação e noutras, João Pedro Oliveira e Costa considerou que o nosso pior “cancro” é a “burocracia ridícula” que existe no país, que trava o investimento. “O tema da habitação é uma urgência, que nunca será resolvida num espaço de cinco anos, mas que só resolveremos se trabalharmos em conjunto”, afirmou o responsável, criticando que o debate público seja em torno “de umas malas” [uma referência ao deputado Miguel Arruda] ou “daquilo que diz o treinador A ou B”.
O presidente do BPI garantiu que “não aumentamos spreads, garantimos que são cumpridas as regras e não fazemos crédito pessoal para colmatar” insuficiências de capital por parte dos clientes, sublinhou o responsável. O banco rejeitou 5% dos pedidos já feitos por não se enquadrarem nos critérios de elegibilidade, pelo que foram encaminhados para a área de crédito geral do banco.
Novo Banco? BPI diz que possível interesse seria do acionista (Caixabank)
Questionado sobre o Novo Banco e sobre um eventual interesse do BPI, o responsável salientou que um movimento desse género teria de partir sempre do acionista – o espanhol Caixabank. “Eu não tenho nenhum mandato para tomar nenhuma opção, o nosso plano estratégico é um crescimento de quotas e volumes por nós próprios, no entanto se o acionista encontrar alguma operação – seja aqui ou fora – eles tomarão essa decisão, mas não tem sido essa a linha de visão e, até agora, estamos bastante satisfeitos com o crescimento que temos tido”.
Sobre o Novo Banco, “o que eu sei é que está em curso uma montagem de um IPO [venda em bolsa] pelo que vamos aguardar por esse momento”. Ainda assim, João Pedro Oliveira e Costa sublinha que uma eventual compra de um banco como o Novo Banco partiria sempre do acionista, até porque o BPI não teria capital para o fazer – [embora] o capital arranja-se“, atirou.