A poluição de microplásticos está a aumentar, defende um estudo científico feito na Universidade do Novo México, nos EUA. Os investigadores detetaram mais partículas de plástico no cérebro em autópsias a pessoas que morreram em 2024, em comparação com corpos examinados em 1997.
O jornal britânico Guardian cita o estudo, que foi publicado na revista Nature esta segunda-feira. Algumas das partículas de plástico não eram visíveis a olho nu (nanoplásticos).
Os investigadores detetaram, em média, 4.917 microgramas de plástico por grama de tecido na análise de 2024 em comparação com a média de 3.345 microgramas de plástico por grama de tecido em 2016.
Estudo alerta para possíveis impactos de microplásticos na saúde humana
Os cientistas detetaram principalmente a presença de partículas de polietileno, um tipo de plástico usado em sacos e embalagens de alimentos e bebidas, noutras partes do corpo, nomeadamente no fígado e rins. A concentração de partículas detetada no cérebro era seis vezes mais alta em pessoas que demência, ainda que os investigadores não tenham conseguido estabelecer uma relação de causa-efeito.
“Dada o aumento exponencial da presença de micro e nanoplásticos, estes dados contemplam um esforço muito maior para perceber se têm um papel em distúrbios neurológicos e outros efeitos na saúde humana”, declara o professor Matthew Campen, da Universidade do Novo México, citado pelo Guardian.
Os investigadores referem que a concentração de plásticos não foi influenciada por questões como idade, sexo, raça/etnia e causa de morte. Porém, a altura da morte (2016 contra 2024) foi “um fator significativo”.
O Guardian cita professores de outras universidades, não envolvidos no estudo, que referem que embora os resultados sejam interessantes, o baixo número de amostras (28 pessoas que morreram em 2016 e 24 em 2024) dificulta a interpretação de resultados, declarou Oliver Jones, da RMIT University, na Austrália.
Outros estudos já detetaram a presença de níveis elevados de microplásticos em placentas em partos prematuros, sangue, sémen, leite materno e até medula óssea.