As juntas de freguesia que terão sido lesadas na operação Tutti Frutti estão a ser notificadas pelo Ministério Público para se constituírem como assistentes no processo, apurou o Observador. Se no caso do Areeiro, Fernando Braacamp já não vai estar na decisão — por ter renunciado ao mandato —, o mesmo não acontece nas juntas de freguesia da Estrela e de Santo António. Luís Newton e Vasco Morgado, ambos acusados na operação Tutti Frutti, lideram os executivos que vão tomar essa decisão e vão ter eles próprios uma palavra a dizer.

A chegada das notificações às juntas de freguesia está a aumentar a pressão — exercida por parte de dirigentes da distrital do partido, e também nacionais — para que os autarcas acusados renunciem ao mandato. A posição do presidente do PSD, Luís Montenegro, e do secretário-geral, Hugo Soares, foi a de que quem estava no Parlamento tinha de renunciar. A direção entendeu, no entanto, que como os presidentes das juntas foram eleitos com base numa escolha popular personalizada — ao que acresce o eleitorado já saber em 2021 que estavam os três envolvidos Tutti Frutti — haveria menos margem para serem afastados de cima para baixo. Ainda assim, sabe o Observador, a evolução da situação está a ser acompanhada quer pela direção do partido, quer pelo homem forte na capital, o autarca Carlos Moedas.

Fontes sociais-democratas da concelhia e distrital de Lisboa revelam que Luís Newton ao meio dia do dia 6 de fevereiro ainda estava convencido de que iria realizar um jantar para lançar o ano autárquico do PSD-Lisboa, como estava previsto. Isso leva as mesmas fontes a concluir que “foi o Carlos que lhe tirou o tapete e decidiu não ir”. A mensagem que Luís Newton enviou aos militantes a cancelar o jantar, e à qual o Observador teve acesso, punha, de facto, o ónus no presidente da autarquia: “Devido aos recentes acontecimentos e considerando que o nosso presidente da câmara municipal de Lisboa está focado na reorganização do Executivo Camarário, teremos que adiar o nosso jantar de hoje. Peço desculpa por qualquer incómodo. Até breve.”

Newton falava como se Moedas precisasse de uma grande reflexão para substituir Ângelo Pereira quando, na verdade, nesse dia já circulava que o escolhido seria Rui Cordeiro, como se confirmaria esta segunda-feira.

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Luís Newton foi acusado de dez crimes pelo Ministério Público, sendo cinco de corrupção passiva (um deles agravado) e cinco de prevaricação. O presidente da junta de freguesia da Estrela tem considerado que tem condições para continuar, apesar de pressões de alguns setores do PSD para que renuncie ao mandato. Também na Assembleia Municipal há deputados municipais descontentes com a continuidade de Newton como líder da bancada. Há uma grande expectativa para perceber se esta terça-feira, na reunião da Assembleia Municipal, Newton vai marcar presença. Tudo indica que o fará já que, sabe o Observador, o líder da bancada do PSD na AML participou na conferência de líderes.

Na junta de freguesia de Santo António a situação também se coloca, embora Vasco Morgado tenha menos anti-corpos no partido — o que significa menos pressão para sair. Há quem acredite, no PSD/Lisboa, que, apesar de ter errado, Morgado acabou por ser vítima de “uma estrutura viciada que já estava montada” e de “uma equipa que lhe foi imposta por quem realmente mandava no PSD/Lisboa”.

No Areeiro, Fernando Braamcamp já não vai decidir sobre se a junta se constitui ou não assistente do processo, uma vez que já saiu. O tesoureiro e também acusado no Tutti Frutti, Ameetkumar Shubashandra, ao que o Observador apurou também já não deverá fazer parte da decisão, uma vez que estará por horas a sua renúncia ao mandato.