Os veículos eléctricos alimentados por fuel cells, sistema que produz a bordo a electricidade de que necessitam para se deslocar, parece o Ovo de Colombo dos automóveis alimentados por energia eléctrica, uma vez que precisam apenas de hidrogénio para recarregar, operação tão morosa quanto abastecer de gasolina, com a vantagem de não emitir poluentes ou até mesmo CO2. A Toyota foi a primeira — e continua a ser a maior — defensora desta tecnologia, mas o sistema persiste caro e pouco eficiente. Porém, segundo o construtor nipónico, esta realidade está em vias de mudar.

O mercado mundial de veículos eléctricos movidos a fuel cells a hidrogénio (FCEV) concentra-se sobretudo na China, que consumiu em 2023 cerca de 5600 unidades, o correspondente a 39% das vendas globais. Seguem-se os EUA com 2600 veículos com esta tecnologia, ao passo que a Coreia do Sul surge na 3.ª posição do ranking ao comercializar cerca de 1000 unidades. O mercado dos FCEV é muito pequeno e, no ocidente, há sobretudo dois modelos a disputar as vendas, o Toyota Mirai e o Hyundai Nexo, visando acima de tudo desenvolver a tecnologia.

As fuel cells da Toyota já vão na 2.ª geração, desde que o modelo surgiu em 2014, com uma melhoria considerável em eficiência e custos da 1.ª para a 2.ª geração. Agora o construtor anunciou a chegada para breve da terceira geração, algo que tem vindo a ser sucessivamente adiado, sempre com a promessa que as novas fuel cells serão mais pequenas, mais leves e mais eficientes. A nova geração será revelada a 19 de Fevereiro em Tóquio, no Salão Internacional do Hidrogénio e das Fuel Cells.

Além destas vantagens da nova célula de combustível, face à actual geração, a Toyota garante ainda que será mais robusta, sendo que a longevidade da peça responsável por gerar a energia para mover o veículo é determinante para a sua viabilidade económica junto dos potenciais clientes. O construtor assegura igualmente que a 3.ª geração não necessitará de manutenção regular, ao contrário das actuais fuel cells, o que se pode traduzir por custos de utilização inferiores, um trunfo importante que é potenciado pelo facto de as novas células de combustível serem também mais fáceis de produzir em série, do que resulta uma redução no preço de cada unidade que se deverá reflectir no do veículo.